Juiz de Fora

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Panótico vê aqui e agora (176)



A chave de Sarah
(2010)


Filmes sobre o holocausto podem deixar o espectador em alerta. O tema já foi brilhantemente para as telas cinematográficas, e eu destacaria, assim, de imediato, A lista de Schindler, O pianista e A escolha de Sofia. Logo, quem retoma a tragédia deve evitar o uso do holocausto como atenuante para a política externa do Estado de Israel. Mas há um outro tema que é meio tabu: a colaboração efetiva dos europeus não-germânicos para com o antissemitismo, e a visão tradicional de que os franceses ofereceram exemplar resistência ao nazismo não é verdadeira.



Em julho de 1942 Auschwitz já estava em pleno funcionamento, e centenas de milhares de judeus já haviam sido exterminados naquele e em mais dois campos de concentração no Leste europeu. Inicialmente poupados, os judeus da Europa ocidental começaram a ser enviados para lá por esta época. A França estava ocupada pelos alemães desde junho de 1940: o norte e o litoral atlântico diretamente pela SS, e o centro sul pelo governo colaboracionista de Vichy (Marechal Pétain), que chegou a fazer corpo mole para Hitler e Himmler.



Os judeus parisienses foram enviados ao Velódromo de Inverno, no 15ème arr., próximo à Torre Eiffel, e depois para Auschwitz, na Polônia, onde foram exterminados. Sarah Starvinski era uma garota de dez anos, vivia com o pai, mãe e o pequeno irmão Michel em um apartamento do Marais (4ème), tradicional bairro da comunidade judaica parisiense, ainda hoje. Quando a polícia foi buscar a sua família, Sarah escondeu o garoto em um compartimento secreto e prometeu buscá-lo assim que possível, mantendo consigo a chave do local.


Julia (a inglesa Kristin Scott Thomas, residente na França há mais de quinze anos) é uma jornalista novaiorquina casada com um arquiteto parisiense, mora na França há vinte e cinco anos e resolve redigir uma matéria sobre a prisão e deportação dos judeus franceses, fato pouco conhecido do grande público, mas que veio à tona em função de um discurso do presidente Jacques Chirac (1995)reconhecendo parte da culpa do extermínio pela ação voluntária de cidadãos franceses. A vida de Julia e o passado de Sarah vão se encontrar. Não bastasse o talento de Kirsten Scott Thomas, o filme é de uma qualidade inegável, vai bem além da denúncia política do holocausto e possui um final emocionante.


2 comentários:

  1. eu adoro essa atriz, tenho um certo medo de filmes melodramáticos. vou demorar um pouco pra criar coragem de ver esse. beijos, pedrita

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  2. É mais belo do que melodramático, pode ver sem medo, rs...

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