Juiz de Fora

terça-feira, 13 de março de 2012

O Panótico vê aqui e agora (226)


As flores da guerra
(2011)



Nanquim (capital chinesa), 1937, durante a invasão japonesa. O coveiro estadunidense John Miller (Christian Bale) é contratado para sepultar o padre responsável por uma igreja e convento, morto nos bombardeios. Chegando lá depara com prostitutas e estudantes secundaristas que acreditavam poder se esconder dos soldados estupradores no interior da construção. Para salvar a própria pele e a das moças, Miller se finge de padre e consegue enganar um general japonês que gosta de música.



Dirigido por Zhang Yimou, é o seu primeiro filme que não me sensibiliza, e vejamos por que: gritado demais, explosões à béça, caricaturas manjadas de soldados japoneses, heroísmo demais nos soldados chineses, um ator mediano estadunidense bancando o salvador de donzelas indefesas, este filme é muito ao gosto do público estadunidense e do governo chinês, não chega a ser uma bela porcaria (a fotografia é muito boa), mas é um filme que desrespeita a inteligência de quem espera a qualidade costumeira nas obras do grande Zhang Yimou. Bom, se ele estava atrás de grana e reconhecimento do mainstream de Hollywood, tomara que tenha atingido estes fins.

1000 posts!



E não é que ultrapassamos os mil posts? Parabéns para mim e obrigado aos meus leitores de mais de setenta países.

O Panótico vê aqui e agora (225)


Boca do Lixo
(2010)


São Paulo, entre 1957-62. Hiroito Joanides (1936-92) aparece como adolescente na primeira vez que foi à um bordel, na chmada zona aberta. Fica encantado. Mais tarde, já com vinte e um anos, é interpelado pelo pai que se espanta com a malandragem, o alcoolismo e a grana do filho não trabalha. Hiroito exercia o rufianismo e caminhava para o narcotráfico. Homicida temperamental, só não foi para as grades mais cedo pelas razões de sempre. Este filme é livremente baseado na sua autobiografia.

Vida de bandidos que pensam costumam dar bons filmes. A fotografia colabora, a trilha sonora também e a narrativa é ágil. Daniel de Oliveira é um ator muito bom, e convincente. O amadorismo de criminosos e policiais da época são bem caricatos. Um traficante hoje em dia jamais faria o serviço de suas mulas e aviõezinhos. As cenas de sexo e uso de drogas são (Hiroito deve ter sido um dos primeiros brasileiros viciados em drogas injetáveis) compatíveis com a temática da obra. Lembrou-me por diversas vezes Meu nome não é Johnny  e alguma coisa de Tarantino. Para quem tem interesse específico na história de São Paulo pode ser ser um bom programa. No mais, ficamos com a sensação de que é uma história meio sem rumo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O Panótico ouve aqui e agora (100)


Tangerine Tree Vol. 4, 5 e 6
(2002)


O vol. 4 traz um show da turnê do álbum duplo Encore (1977). É impressionante a empolgação que o show proporciona. A obra foi dividida em dezenas de partes, difrentemente das quatro suítes originais, mas há notória expansão dos temas, o ouvinte não perde nada, a menos que seja um purista.

O vol.5 para mim é como se fosse um presente, pois o álbum Logos é minha obra predileta do Tangerine Dream, ainda que não tenha a harmonia de Rubycon, Ricochet ou Stratosfear. Ótima gravação em Frankfurt.





O vol. 6 não é exatamente original, é fortemente inspirado em Rubycon, um álbum que só me traz boas sensações, mas aqui apresentaram uma versão mais de palco, para um grande público, um show capaz de atrair o ouvinte que porventura considere Rubycon uma obra que cobra um pouco mais de disciplina. Esta série ainda vai me dar muitas alegrias. O show contém mais do dobro da produção musical do disco original.






quarta-feira, 7 de março de 2012

O Panótico ouve aqui e agora (99)



Tangerine Tree Vol.1 e 2
(2002)


 
Tangerine Tree é uma coleção (2002-6) com quase trezentas horas de shows inéditos do Tangerine Dream, uma das minhas bandas preferidas de música eletrônica, especialmente o que fizeram entre 1974-82 (depois é bem irregular). Contando com a autorização da banda, as gravações são de boa a ótima qualidade. São cerca de cem shows, e não se trata de meras apresentações ao vivo dos discos oficiais anteriormente lançados. Vou ter muito o que ouvir.

O Volume 1 (Londres, 08/11/1976) é impecável, com excelente qualidade de gravação e a segunda melhor formação do Tangerine Dream, na minha opinião (Edgar Froese, Peter Baumann e Chris Franke; a melhor incluiria Klaus Schulze). São três faixas sensacionais na linha de Ricochet. É um disco bem para cima, bem melódico, eu me sinto nas distantes noites do final da década de setenta quando descobria maravilhado o universo da música.




O Volume 2 tem a ver com a estrutura de composição da banda anterior a Phaedra (1974). Parece mais com trabalhos como Alpha Centauri, Zeit, e Atem. Para quem prefere esta fase menos padronizada da música eletrônica é um prato cheio. Não é um cd que eu vá ouvir muitas vezes, mas gosto da ambientação soturna, compenetrada. A gravação em Sheffield (29/10/74) não está lá estas coisas, e uma única suíte de mais de quarenta minutos pode não ser uma experência muito prazeirosa.


Dez mulheres que eu admiro (Homenagem ao Dia da Mulher)

Elizabeth Fraser 


 Nina Hagen


 Jung Chang


 Gong Li


 Ayaan Hirsi Ali


 Angela Merkel


Kristin Scott Thomas


Marilena Chauí


 Aung San Suu Kyi


Maggie Cheung


terça-feira, 6 de março de 2012

O Panótico vê aqui e agora (224)



O porto
(2011)


Marcel Marx é um septuagenário ex-alcoólatra que largou Paris e foi morar em Le Havre, porto internacional da Normandia. Faz um bico ilegal como sapateiro e sempre compra fiado. A sua dedicada esposa fumante está com câncer e é internada no hospital local. Enquanto passeia pelo porto pensando na vida Marcel dá de cara com um adolescente gabonês escondido da polícia, que pretende deportá-lo de volta à África. Marcel resolve ajudar o garoto a fugir para Londres, onde encontrará sua mãe.


Este é o segundo filme do finlandês Aki Kaurismäki a que assisto, o anterior foi o sensacional Um homem sem passado (2002) no qual um simplório sujeito mantinha o otimismo diante da vida mesmo só levando pancadas de tudo e de quase todos. O irmão de Aki, o também cineasta Mika Kaurismäki, mora no Brasil há vinte anos.


Embora contemporâneo, as locações, vestuário, automóveis, armários, eletrodomésticos e principalmente as figuraças que atuam no filme, quase tudo remete à uma França ainda meio pobre, do final dos anos cinquenta ou início dos anos sessenta. O ritmo lento e gradual e o universo simples das personagens me faz lembrar os filmes de Jim Jarmusch, a cena finlandesa de Noite no Mundo, ou O fabuloso destino de Amélie Poulain. A fotografia tem uma característica de tom pastel, como filme preto-e-branco colorizado por computador. A lentidão com que as personagens regaem às situações me lembram Fassbinder, mas o diretor disse que conheceu os filmes do cineasta alemão apenas recentemente (ponto para mim que os vi em 1982, pela primeira vez).



Há também o inspetor de polícia eficiente cumpridor do dever, mas que possui um ponderado senso de justiça. É um filme muito bom, com certeza vai agradar o espectador.


O Panótico vê aqui e agora (223)


 Nove rainhas
(2000)



Este é o quarto filme argentino a que assisto em um ano e o quarto de que gosto. Juan é um jovem que aplica o golpe do troco em uma mercearia, aproveitando a inabilidade da funcionária com adições. O gerente, no entanto, percebe o golpe, mas o cliente que lá estava, Marcos (Ricardo Darín), finge ser um inspetor de polícia e livra a cara do criminoso simulando levá-lo para o distrito policial. Marcos havia percebido a malandragem amadora de Juan desde o início.




Marcos precisa de um larápio coadjuvante e vai testando o mais jovem com pequenos golpes em pessoas pelo caminho. Há uma cena em que Marcos pedagogicamente explica a sua diferença para com os demais criminosos comuns em ação no centro de Buenos Aires. Marcos se considera um mestre e se afeiçoa pelo aluno.




Um companheiro de golpes de Marcos que está muito doente lhe propõe parceria para vender a um rico colecionador de selos as Nove rainhas, uma bem-feita falsificação de selos alemães da década de vinte que alcançam alto valor de mercado. Marcos e Juan entram na parada, mas a vida é madrasta


Este filme muito premiado é mais uma demonstração de que para fazer um bom filme não é preciso muito mais do que saber contar uma estória envolvente. Argentina 4 x Brasil 1.


segunda-feira, 5 de março de 2012

O Panótico vê aqui e agora (222)


Borboletas Negras
(2011)


Eu fiquei interessado em ver este filme graças à excelente atriz principal Carice Van Houten, que estrelou The black book (2006), filme no qual protagonizava uma agente dupla judia na Holanda ocupada durante a segunda guerra mundial.

Cidade do Cabo, 1960. Ingrid Jonker (1933-65) passou a infância criada pela mãe divorciada, e após o seu falecimento, pelos avós maternos. Com cerca de seis anos, após o também falecimento da avó, foi para a casa do pai, casado pela terceira vez, um homem que ela jamais havia visto. O pai colocou-a e à sua irmã mais velha, em um quarto afastado da residência da nova família, e Ingrid era tratada como uma estranha.


O pai (Rutger Hauer) era um ministro fundamentalista do governo sulafricano, e acreditava que o apartheid era uma decorrência do fato de que Deus teria escolhido os africânderes (descendentes dos holandeses) para dominar o país. Ingrid cresceu querendo a admiração e atenção paterna, e o faz por meio de uma postura autodestrutiva, envolvendo-se com paixão e possessividade pelos homens que lhe passam pelo caminho. Um destes homens foi o escritor e militante anti-apartheid Jack Cope (1913-91). Ingrid se apaixona de imediato pelo escritor mais velho e lhe exige absoluta atenção. Como o cara está em outras, tem que lidar com as crises da poeta.


Por questão meramente pessoal, pouco ou nada tendo a ver com cinema, tenho pouquíssima afeição por pessoas dispersivas, confusas, autodestrutivas, posso compreendê-las, mas meus heróis jamais morreriam de overdose, eles têm mais o que fazer além de celebrar a própria autopiedade.  E esta coisa do desorientado se revestir do papel de artista, meio que dizendo: "Olhem, vocês tem que relevar as minhas zuretices porque sou um poeta, um artista, não me cobrem estabilidade, juízo ou coerência", acho uma certa estratégia pessoal para viver do favor alheio, do amparo do Estado, me cheira à esperteza. Então, o drama da poetisa não me seduziu.





Ingrid Jonker (1933-65)


Jack Cope (1913-1991)


O Panótico vê aqui e agora (221)


O homem do futuro
(2011)



Há duas expressões que me fazem prestar atenção em um filme quando proferidas por pessoas que gostam de cinema, sem serem necessariamente criteriosas: "Nem parece um filme americano", e "Nem parece um filme brasileiro". Basicamente, a primeira significaria: não é um filme idiota com trogloditas salvando o mundo dando porrada nos inimigos dos EUA, e a segunda: não é um filme chato, mal dirigido, mal produzido, mal narrado, mal estrelado, com uma mensagem populista e muita nudez e palavrões pretensamente intelectuais". Assim, há alguns meses atrás, quando passei diante do cinema e vi o cartaz deste filme, pensei: é, o Wagner Moura não tem culpa pelo cinema brasileiro, e esta menina mostrando as nádegas de perfil, é da rede Plim Plim?




Mas eu ouvi aqui e ali: "Nem parece um filme brasileiro!". Pois bem, devido ao fim das férias, estou mais ocupado agora. Mas eu não quero perder o meu ritmo de acesso ao cinema. Assim, adotei o seguinte critério: dou quinze minutos para o filme me convencer a assisti-lo. As legendas iniciais indicam que se trata de uma co-produção brasilo-estadunidense, pode dar resultados. Mas, Tempo Perdido, que clichezaço. E aí vem, cientista maluco acossado por megaempresária cientista apaixonada exibindo decote quer voltar ao passado para reencontrar garota-enfeite?! Nossa, que tema mais manjado. Ôpa, quinze minutos! Estou salvo.




Coitado do Wagner Moura (e da Maria Luíza Mendonça também), eles não tem culpa mesmo pelo cinema brasileiro.


O Panótico vê aqui e agora (220)


A dama de ferro
(2011)



Filmes de reabilitação de políticos cheiram a bajulação, a encomenda, a suborno. Mas há alguns que são muitos bons: eu citaria aqui Nixon, de Oliver Stone, que vale por mostrar como um político anticomunista pode se aproximar tranquilamente dos comunistas, sem levantar suspeitas (e no nosso caso, um líder sindical fazer um governo totalmente favorável aos bancos, pelas mesmas razões); A rainha, de Stephen Frears, embora eu ache que ele foi bajulador da pessoa da soberana, ainda que não da instituição da monarquia; e W, também de Oliver Stone, nada favorável a Bush, mas com uma atuação marcante de Josh Brolin, e uma interpretação psicanalítica do cowboy, preocupado em impressionar o pai modelo e repressor.



Li que este A dama de ferro seria um filme frustrante e o Oscar de Meryl Streep imerecido se comparado à atuação de Glen Close em Albert Nobbs. Bom, mas Oscar não é critério idôneo para mim. O filme começa bem, e Meryl Streep está ótima, quase tão boa quanto Helen Mirren como Elizabeth II. Há momentos em que ela tem olhares e dicções de Meryl Streep, perde a personagem, mas no mais a maquiagem e a forma de falar são idênticas. Margareth Thatcher, para os mais jovens que não a conhecem, foi a "Dama de Ferro" (Iron Maiden), primeira ministra do Reino Unido por longos onze anos. (1979-1990). Da minha juventude, foi a líder de país democrático mais repugnante e odiável que eu me recordo, ainda mais detestável do que o governo do presidente estadunidense Ronald Reagan (1981-9).



Líder do Partido Conservador, era particularmente antipática por duas razões: intelectualmente limitada e dona de arrogância destas comadres de subúrbio que falam com pretensa autoridade sobre qualquer assunto sem aparentemente ter lido um único livro ou resenha sobre o tema. Dada a sermões, se sentia no direito de admoestar quem quer que fosse. Muita apegada ao poder, marcou o seu governo por alguns princípios ostensivos: privatização, redução de direitos trabalhistas e sociais, linha dura com sindicatos, enfrentamento com o IRA (com este último eu concordo). Mais do que o governo de Ronald Reagan, o seu governo cristalizou a imagem do que vem a ser "neoliberalismo", embora "thatcherismo" realmente seja mais correto, a ministra tinha mais uma mentalidade udenista de baixa classe média do que propriamente liberal de economistas de origem nobre ou burguesa.




Iniciou o seu governo com dois problemões: uma greve de mineiros, com pouco mais de cinquenta por cento de adesão, ao longo de um ano, que foi derrotada por meio das privatizações do setor minerífero. E a greve de fome dos militantes sentenciados do IRA, que queriam ser tratados como prisioneiros políticos nos presídios ingleses, mas foram tratados como criminosos comuns, causando a morte de dez terroristas. Em 1982 ela ganhou um presente da ditadura argentina de Leopoldo Galtieri: a invasão das Falklands (Malvinas). Com apoio dos EUA e do Brasil (governo Figueiredo), os ingleses deram uma coça nos argentinos e a popularidade de Thatcher chegou ao auge. Após isto, só se relegeu devido ao sistema eleitoral britânico: peso eleitoral maior para as áreas rurais e pequenos municípios, onde os tories (conservadores) são tradicionalmente mais fortes do que os  labours (trabalhistas). A escolha da primeira ministra era, e é, indireta, pelo princípio de maioria simples, o partido mais votado indica o seu líder que é convidado pela rainha para administrar o país. Assim, os pouco mais de trinta por cento dos votos dos conservadores deram três mandatos para a Dama de Ferro.

O fim do socialismo do leste europeu trouxe a necessidade de unificar economicamente a Europa, e Thatcher previu que isto reduziria o seu poder pessoal em favor de uma Europa federada, com a Alemanha reunificada e mais forte. Opôs-se à criação da União europeia e apareceu com uma bobagem descomunal: a poll tax, um imposto único igual para todos os cidadãos do Reino Unido: mesmo valor para desempregados e multimilionários. Veio uma onda gigantesca de protestos e seus colegas do Partido Conservador puxaram-lhe o tapete. Em 1992 Margareth Thatcher não tinha voto nem para se reeleger deputada, caiu fora, e foi a Câmara dos Lordes como baronesa. Desde então, somente aparece em celebrações da elite do capitalismo: enterros de presidentes, casamentos reais, etc.
Há cerca de dez anos que vem apresentando sinais de demência mental.



Este filme baba ovo a trata como uma mulher destemida, incompreendida, traída pelos colegas de partido e solitária após a morte do fiel marido. Não cola. Quem tem mais idade e nunca gostou dela não vai sentir muita pena. Quem é jovem, bem, por razões biológicas, os jovens não sentem muita atração por pessoas idosas. Para mim, mais do que uma campeã do neoliberalismo, Margareth Thatcher representa a mulher implicante, a pessoa física e intelectualmente pouco atraente e que marca a sua presença na sociedade enchendo o saco dos outros. Há filmes melhores por aí. Não vale a pena ir ao cinema por causa deste.


My best loved 1982 rock albums (3)



Beat
(King Crimson)


Ouvi Beat alguns meses após Indiscipline, os dois discos foram lançados no Brasil praticamente em seguida, fruto das suas boas acolhida nos mercados fonográficos britânico e estadunidense. O King Crimson foi o único grupo peso pesado de rock progressivo a se retirar de cena antes do furação punk de 1976/77. Agora, com a explosão de tendências de '81/'82 o grupo tinha espaço novamente. Mantendo-se fiel às carcterísticas do progresivo: belas melodias, harmonias e arranjos trabalhados, competência técnica, temática adulta, postura profissional, etc. Beat é um disco com canções de poucos minutos mas muito conteúdo. Utilizando diversas referências da literatura beat de Jack Kerouac e Allen Ginsberg, o que ouvimos são dois magistrais guitarristas: o dono do grupo, Robert Fripp, meu guitarrista predileto de todos os tempos, o cantor estadunidense Adrian Belew, que pouco compreendia da filosofia do grupo, mas era um elemento mais comunicativo da banda, o baixista Tony Levin, que já havia trabalhado com Peter Gabriel, e Bill Bruford, ex-Yes e Crimson da primeira fase, terceira formação.


Robert Fripp, Tony Levin, Bill Bruford e Adrian Belew.


Neal and Jack and me já inicia o disco com uma melodia envolvente, e tensa. Heatbeat foi a faixa de trabalho e chegou a tocar nas rádios nos programas alternativos. A minha preferida é a toda instrumental Sartori in Tangier, equivalente à ótima The sheltering sky, do disco anterior. Só não gostei de Requiem, achei-a um experimentalismo primário para um grupo tão disciplinado.



Robert Fripp e Adrian Belew

Já sabendo à época que havia um terceiro disco para completar a trilogia com capas nas cores primárias, fiquei com a sensação de que o rock progressivo poderia voltar à tona, não mais com uma tendência vitoriosa, óbvio, mas como um segmento relevante da música pop. Nos anos seguintes dezenas de bons discos foram lançados pela geração dos setenta. Hoje há centenas de bandas cover dos grandes grupos levadas a sério por jovens universitários.



Competência musical não se perde, aqui não se trata de roupas, juventude e escândalos.