Juiz de Fora

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sábado, 1 de setembro de 2012

My 1972 best loved rock albums (9)


Transformer
(Lou Reed)

Eu ouvi Lou Reed pela primeira vez com o Velvet Underground, mas somente no final da década de oitenta. Apesar de conhecer de nome desde há muito tempo nunca vi cds ou álbuns à venda e ninguém que os tivesse. Acho que aqui em Minas o Velvet não teve muitos fans originais, somente mais tarde, por influência da imprensa inglesa, estadunidense e paulista que incensava o pós-punk.

Há idiossincrasias do álbum que não me tocam. Vicious é uma música muito boa, só isto, o lado junkie do rock (um lado bem vasto, reconheço) nunca me seduziu. O nome Transformer teria a ver coma esposa transexual de Reed, Rachel, eu acho.

Produzido pelo guitarrista de Bowie, Mick Ronson, o disco poderia ter sido mais um do Velvet Undergound. Transformer é o segundo álbum solo de Lou Reed, e antecede a Berlin, outro marco. Após isto não me recordo de mais nada de Lou Reed que fosse muito significativo, mas ele é daqueles caras semelhantemente à ídolos de MPB, que podem fazer o que for que conta com a simpatia da imprensa estabelecida.

A minha preferida é Perfect Day.



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

My best loved 1972 rock albums (8)



Zeit
(Tangerine Dream)



Zeit (tempo) é o terceiro álbum do grupo alemão de eletrônico progressivo Tangerine Dream. É o primeiro após a saída de Klaus Schulze, que faria em seguida uma muito produtiva carreira solo, e que, em seus melhores momentos, superou em qualidade a obra do grupo originário. Com o fundador Edgar Froese, Chris Franke e o recém chegado Peter Baumann, formação clássica dos anos setenta, este álbum duplo (em vinil) ainda pertence a primeira fase do grupo, a mais apreciada por aqueles que se identificam mais com os sons e propósitos da geração krautrock de fins dos anos sessenta. Eu não, eu prefiro o que foi composto a partir de Phaedra, até Logos, confrome já o disse aqui.

Zeit apresenta quatro faixas ocupando cada uma um lado dos vinis. Para aqueles criados ao som de música clássica e rock progressivo, longas suítes são uma bela promessa de um bom tempo assimilando e curtindo música, isto nunca foi um obstáculo para mim, pelo contrário, e lamento que a maioria da humanidade não suporte mais de quatro minutos por canção. Birth of liquid plejades inicia-se com uma muralha em construção, sons sintetizados de cordas, creio eu, e serve para afastar qualquer incauto. A primeira vez que ouvi, - com este cd importado da Inglaterra que comprei na feliz época da paridade do dólar com o real, nos idos de '95 - fiquei com a sensação de que ouviria uma obra conceitual, com embasamento estético, mas difícil de ser apreciada. No entanto, após o impacto inicial, o que temos é uma tranquila planície sonora, algo que remonta à imaginação espacial daquele período. Lembra-me muito certas cenas de um filme clássico de Andrei Tarkovski, Solaris. Há perceptível influência de Pink Floyd e do Popol Vuh, inclusive porque o seu líder, Florian Fricke, toca aqui.


Edgar Froese, Peter Baumann, e Chris Francke


Nebulous Dawn possui um tema básico que se mantém, mas paralelamente evolui com melodias e sons que lhe acrescem textualidade. Novamente, a imaginação remete à filmes de ficção científica. É a faixa que menos me atrai, aqui eu confesso que perco um pouco da concentração. Eu gostava de ouvir estes primeiros dicos do Tangerine Dream com headphone, para captar tudo o que se passa. Origin of supernatural probabilities já se aproxima mais do som que o Tangerine Dream faria a partir de Phaedra, o que seria uma ruptura com as propostas originais, mas eu penso que um trabalho mais melódico agrada e atinge uma faixa maior do público, embora para mim esta não é a questão, e sim o prazer que a música evoca. A faixa título encerra o álbum duplo na mesma linha das anteriores. É uma obra que requer você gostar do que se fazia na Alemanha entre 1968-74, depois esta sonoridade se tornou cada vez menos frequente.

domingo, 1 de julho de 2012

My best loved 1972 rock albums (7)




Re-Make/Re-Model
(Roxy Music)
Andy Mackay, Rik Kenton (?),  Phil Manzanera, Brian Eno, Bryan Ferry, Paul Thompson


No início dos anos oitenta havia poucas opções de leitura sobre rock aqui no Brasil. Eu comprava a Som Três, uma revista sobre equipamentos de som, e nela havia algumas resenhas e matérias sobre rock.. Ao ler a primeira vez sobre o Duran Duran tomei conhecimento do Roxy Music. Nos anos seguintes, todas as matérias sobre bandas new romantic afirmavam o mesmo: David Bowie e Roxy Music foram as maiores influências do gênero. Ouvi muito Brian Eno por esta época, e sua série Ambients era o que havia de mais vanguarda então, ou pelo menos, de mais vanguardista com propósitos. E Brian Eno tinha sido o tecladista do Roxy Music. No mesmo dourado ano de '82 o Roxy Music lançou Avalon, que era, e é, um bom álbum pop, e não mais que isso. Deixei, então, para ouvir os quatro primeiros álbuns da banda quando houvesse tempo (leia-se dinheiro) de sobra. Havia muitas outras premências. Em '86 gravei o videoclip de Re-make/Re-Model, e achei a participação de Brian Eno muito boa, na que é para mim a melhor faixa do primeiro disco deste grupo britânico. Quanto ao cantor Bryan Ferry ele me parecia, e ainda parece, uma espécie de Roberto Carlos, sempre com aquela coisa do elegante cantor romântico que pode muito bem cantar em Las Vegas ou em um restaurante decadente qualquer (e também nunca gostei do trejeito dele cantando com os olhos fechados). Nos seus melhores momentos, faz um popizinho bem legal, mas não tem nada a ver com espero de cantores de bandas de rock.




A história básica do Roxy Music é bem conhecida: estudantes de Arte, Brian Eno e Bryan Ferry estavam interessados em fazer algo diferente dos dominantes rock progressivo e hard rock do início dos setenta. Brian Eno, apesar de ser o mais glitter de todos, tão ou mais pó de estrela que Bowie, desde o início da banda avancou pela eletrônica. Não sei se a sua saída foi obra dele ou do amigo rival Bryan Ferry. Francamente isto não me interessa muito, mas o fato é que o segundo disco do Roxy Music, Strended (1973) é uma bela porcaria, não há uma faixa que salve. E o interesse geral pelo Roxy Music é maior por seus figurinos do que pela música propriamente dita, então, não poderia mesmo ser uma banda entre as minhas prediletas.



Mas, independentemente disto tudo, Re-Make/Re-Model é um dos melhores discos de '72. A faixa homônima é bem animada, e define bem as intenções da banda. Ladytron vale pelos teclados de Brian Eno, meio à la King Crimson. Virginia Plain é bem bobinha, uma coisa meio faroeste, meio teatro de can can, é a preferida dos críticos de rock meio cabaret, e novamente vale pelo que Brian Eno faz ao final e pela guitarra meio Velvet Underground de Phil Manzanera. 2HB começa com o ótimo teclado de Brian Eno - está ficando chato né? - mas tem uma melodia mais de banda, até o saxofone de Andy Mackay cai bem no conjunto. The Bob tem um som mais pesado, Bryan Ferry deu um caprichada nos vocais, e a faixa trata da Batalha da Inglaterra (1940), ouve-se tiros de canhões. Achei o final da canção coisa de rock progressivo quando caricato e mal feito. Chance Meeting tem um clima meio disperso que era a alegria de muita banda dos oitenta. Would you believe é apenas o péssimo rock and roll estadunidense dos anos cinquenta, ieiêiê mais infantil.

Foi bom reouvir esta obra. Adquiri o vinil importado em '89 e o cd (também importado) alguns anos depois.






sexta-feira, 1 de junho de 2012

My best loved 1972 rock albums (6)





Lá pelos idos de 1974 eu assisti no programa Hebe Camargo (perdoe-me, eu era uma criança) a apresentação de um pianista brega e cantor francês Demis Roussos. Como era do agrado das tias, não dei atenção. Em 1979 conheci o trabalho de Vangelis, tecladista grego de quem possuo dezenas de álbuns, gosto muito e é um caso raro de artista muito íntegro e fiel a princípios. Em 1982 vi e ouvi o álbum importado 666, do Aphrodite's Child, banda formada pelos gregos Roussos (vocal e baixo), Vangelis (teclados), o baterista Loukas Sideras, e o guitarrista Silver Koulouris, (sobre estes dois últimos nunca mais vi nada).


Vangelis, Roussos e Sideras
666 é um número fantasioso para quem ainda é jovem, pedi o disco emprestado, gravei-o em partes em uma única fita (ê, pobreza) e fiquei na esperança de um dia ter o álbum ou o cd, o que somente aconteceu há uns dez anos atrás.

Como álbum duplo de rock progressivo, a obra é temática e o objeto é evidente. Nunca li as letras, apenas o pouco que peguei de ouvido. Sabia que a banda grega não podia ir muito longe, e jamais se comparou aos ingleses. Mas é um disco que tem muitas qualidades. Instrumentalmente rico, com a voz diferenciada de Roussos, sem resvalar para a breguice posterior, é possível acompanhar com interesse a evolução épica do trabalho.

O primeiro cd começa bem. The system é um coral tipo bando de jovens seguem o seu deus, e Babylon é um rock básico, bem legal, com voz sinuosa e baixo sinuante, que nos liberta da procissão anterior. Loud Loud Loud é um piano com uma voz feminina, seguida de coral de fundo, introduzindo a narrativa. The four horsemen é disparada a minha preferida, sobre os quatro cavaleiros do apocalipse, gosto de tudo aqui, e o refrão colou rápido na minha mente. The lamb  é uma faixa instrumental com uma tonalidade arabesca, sem ser tribal ou folclórica, ainda é rock progressivo. The seven seal traz um narrador e cordas diversas de fundo. Aegian Sea é bem o que Vangelis faria se tivesse uma banda de suporte pela carreira afora, é uma faixa bem Pink Floyd. Seven Bowls é um povo rezando para o Demo, bem chato, sempre pulei, e vou fazê-lo novamente gaora. The wakening beast, uns sininhos, nada demais. Lament me remete à morte de Heitor no filme Troia. As seis ou sete faixas seguintes não são do meu agrado e parece que o disco se perdeu por um bom tempo.


O segundo cd é bem mais instrumental do que o anterior. Eu gosto da orientalizante The wedding of the lamb e da jazzística Capture of the Beast. Entra em cena Irene Papas na faixa que tem o símbolo matemático do infinito. Hic et Nunc é faixa para plateia, tipo Tommy do The Who. O quente do segundo cd é a suíte All the seats were occupied, vibrante, minha segunda preferida do álbum, talvez a melhor para os fãs tradicionais de progressivo. Break é o grand finale (na verdade é mais um petit finale) e fico feliz de poder ouvir novamente um disco de quarenta anos com grande prazer. Música boa é eterna.



terça-feira, 1 de maio de 2012

My best loved 1972 rock albums (5)



Trilogy
(Emerson, Lake & Palmer)

Em 1976 eu não estava ainda atento para o rock e gostava de discos de novelas e coletâneas, como a maioria dos garotos da época. Na Globo, à tarde, passava um programa sobre rock, cujo nome não me recordo, e mudando de canal deu para ver três caminhões pela estrada com os nomes "Emerson", "Lake", "Palmer" em cada um deles. Era a banda em tourné pelos EUA e cada veículo levava os instrumentos musicais de cada músico. Em seguida, aparece a banda tocando Fanfare for a Common Man,  uma música toda instrumental, pegajosa, de fácil assimilação e o grupo ficou na minha mente. Em 1978 vi a capa de Tarkus na casa de um amigo, e aquele tatu-tanque me impressionou.


Trilogy é o segundo disco do trio inglês formado por Keith Emerson (teclados), Greg Lake (baixo, guitarra e voz) e Carl Palmer (bateria e percussão). Este grupo dominado pelo tecladista, que recusou o pedido de Jimi Hendrix para integrar a banda, era dado à megalomania e tinha notório tino comercial. Usava da música clássica de uma forma bem descarada, mas o som era de alta qualidade. Eu os colocaria no mesmo patamar de grupos como Genesis, Yes e King Crimson, mas um degrau abaixo.

The endless enigma é uma faixa que tem um clima bem interessante, e aqui o centro da atenção são os sintetizadores Moog. A faixa tem um peso meio épico, lembra trilhas de filmes históricos. From the beggining é a típica musiquinha romântica, bem ao gosto do cantor e baixista Greg Lake. Nao sei se era uma concessão de Keith Emerson para manter Greg Lake na banda, ou uma combinação de ambos para alavancar as vendas. A mulherada adorava o Greg Lake e ia nos shows somente por causa dele. The sheriff dispensa comentários e a seguir vem Hoedown, a faixa instrumental que fazia a minha alegria, com alta performance de Keith Emerson, apesar do sonzinho meio cowboy. Trilogy é bem composta, é bonita, mas não muito. Eu achava Living Sin curiosa, por causa do falsete grave de Greg Lake nos versos iniciais, mas ainda sim é uma boa música. Abaddon's Bolero é a faixa de "qualidade" de Keith Emerson, a que lhe dava maior credibilidade como músico de progressivo. Trilogy é o preferido de muitos fãs da banda, mas eu sou bem mais Brain Salad Surgery (1975)



domingo, 1 de abril de 2012

My best loved 1972 rock albums (4)




Prologue
(Renaissance)

O Renaissance foi um grupo inglês de rock progressivo com uma peculiaridade: uma mulher como cantora (Annie Haslam) e com uma voz inigualável. Não é um grupo do mesmo nível dos cinco grandes do rock progressivo (Genesis,Yes, Pink Floyd, King Crimson e Emerson, Lake & Palmer), não por que lhes faltassem talento e competência para tal, mas simplesmente porque não tiveram criatividade para fazer muitos discos bons (na verdade, são apenas dois, este Prologue e o seguinte, o mais bem sucedido Ashes are burn). Basta reparar que as canções de Prologue são de pessoas que passaram anteriormente pela banda.


O meu vinil ainda está sem um único arranhão.

Prologue é o terceiro álbum da banda, com a sua melhor formação: Annie Haslam (voz), John Camp (baixo e voz), John Tout (teclados), Rob Hendry (guitarras) e Terry Sullivan (bateria).


O álbum é nacional. Provavelmente o original importado apresenta fotos coloridas.

Prologue possui uma introdução à maneira clássica, e a voz de Haslam vai tomando conta do cenário, mas em harmonia com o instrumental da banda. Cantoras aceitarem de fazer parte, em proporções iguais, a uma banda, não é usual neste mundo de estrelismos. Kiev parece levar o classicismo adiante mas é uma faixa mais pop, e Haslam divide os vocais com John Camp. É um som soft, quase eu não o classificaria como rock. O Renaissance tinha fãs incluive em grupos de jovens católicos. Sounds of the Sea me evoca imagens de fiordes e outros cenários nórdicos, por força da capa e do som de gaivotas. Aqui Haslam manda ver no seu alcance vocal. Spare some love provavelmente foi a faixa de mais sucesso do disco, com seu refrão fácil e riponga. Gosto bastante. Bound for Infinity  é levemente triste e talvez a faixa mais intimista do álbum. Rajah Khan  é a faixa instrumental do grupo, a mais progressiva de todas. Não se compara com o que as demais bandas inglesas faziam pela mesma época, mas o clima oriental é bem legal. Prologue é um disco que ainda me empolga, trinta e três anos depois de sua primeira audição.


segunda-feira, 5 de março de 2012

My best loved 1972 rock albums (3)



The rise and fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars
(David Bowie)




Independentemente do que se possa pensar sobre as camaleonices de David Bowie, ame-o ou ignore-o, há uma duzia de discos muito bons do cantor inglês. Ziggy Stardust é o seu primeiro álbum de peso, embore eu goste também dos anteriores The man who sold the world (1970) e Hunky Dory (1971).




Seja coincidência, ou uma influência direta do rock progressivo, este é um disco temático. O tema em si não me impressionou, nem na adolescência, um ser extraterrestre que vem para a Terra querendo se tornar famoso por cinco anos (mais tarde Bowie interpretaria um marciano que veio para roubar a água da Terra, em O homem que caiu na Terra).



Five Years introduz lentamente a sina do (da?) hedonista Ziggy. Soul Love começa com uma canção black mas já tem um pique roqueiro de guitarra (Mick Ronson, figura importante neste álbum). Moonage Daydream é um dos marcos do disco, minha segunda favorita, e eu gosto bem do clima atmosférico e dos vocais de Bowie.  Starman é uma faixa de trabalho, bem para rádio, e ganhou um cover de um grupo brasileiro no final dos anos oitenta, Nenhum de Nós (quando eu exibia a original tinha sempre alguém que perguntava: ué, Bowie copiou a Astronauta de Mármore?!). Hang on to yourself era utilizada como introdução na turnê de Bowie (que ele afirmou que seria a última de sua vida). Ziggy Stardust é uma das melhores canções de Bowie, pode tocar qualquer hora que ouço com grande prazer, e ganhou uma versão histórica dos fantásticos Bauhaus. Rock and roll suicide é a conclusão da decadência de Ziggy, morto(a) por excesso de prazeres. Estrelismo, escapismo, androginia, marcas registradas de Bowie.




Bowie deu ao mundo os new romantics dos anos oitenta.








quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

My best loved 1972 rock albums (2)


Close to the Edge
(Yes)

Alan White, Steve Howe, Rick Wakeman, Chris Squire e Jon Anderson


Close to the Edge é o quinto álbum do Yes, mas é cronologicamente o primeiro pelo qual a imagem e o som do grupo se formaram na minha mente. Com apenas três músicas, a banda foi o segundo grande grupo a ocupar todo um lado de um disco com uma suíte - o primeiro foi o Pink Floyd, com Echoes, em Meddle (1971). Ouvi Close to the Edge pela primeira vez em 1979, e os quase vinte minutos da faixa tema nunca me foram cansativos, pelo contrário, o prazer de acompanhar a evolução da música é enorme. Tudo estava lá: a bela voz de Jon Anderson, a melodia e a virtuose de Steve Howe (guitarras) e Rick Wakeman (teclados), - de quem eu já era fã desde que ele veio ao Brasil, em 1975 -, o baixo sinuoso de Chris Squire e o baterista Bill Bruford, pouco antes de sair para se integrar ao King Crimson, atraído por Robert Fripp. Close to the Edge  é uma farta demonstração de que o rock pode ser emocionante e inteligente ao mesmo tempo.

Eu não sacava as letras (baseado em uma obra de Herman Hesse, Sidarta), mas sabia, por meio do inglês escolar básico, que tinha a ver com a busca humana por redenção, tudo bem dentro do universo hippie de Jon Anderson. A segunda faixa do disco, And You and I, com o passar dos anos eu fui me saturando dela, por estar sempre em seus shows. A última Siberian Khatru, é uma de minhas preferidas da banda. Bill Bruford chegou a dizer que o Yes copiava partes inteiras de música erudita, eu não sei se isto é verdade ou se trata de uma galhofa, mas o fato é que a influência de Stravinski é notada aqui e assumida pela banda durante os seus shows, por meio da suíte Pássaro de Fogo, do genial compositor russo.



Lyrics | Yes lyrics - Close To The Edge lyrics

domingo, 1 de janeiro de 2012

My best loved 1972 rock albums (1)




Foxtrot
(Genesis)




Gravação do Genesis para um especial de uma tv belga. Imagens raras da banda no início de 1972, turnê de "Nursery Crime".


Gabriel, Banks, Collins, Rutherford e Hackett: a formação clássica do Genesis

Watcher of the skies watcher of all
His is a world alone no world is his own,
He whom life can no longer surprise,
Raising his eyes beholds a planet unknown


(Observador dos céus, observador de tudo
Dele é um mundo solitário, nenhum mundo é dele próprio
Ele a quem a vida já não surpreende mais
Erguendo seus olhos, contempla um planeta desconhecido)

Tony Banks (teclados), Phil Collins (percussão), Peter Gabriel (voz), Mike Rutherford (baixos) e Steve Hackett (guitarras)

O quarto disco do Genesis, Foxtrot, inicia com um acorde de Mellotron que ainda hoje, mais de três décadas após ouvi-lo pela primeira vez, é capaz de arrepiar e encher-me de felicidade. O observador dos céus não é propriamente o deus cristão, tem mais a ver com a forma com que a juventude dos anos sessenta e setenta contemplava o Universo, mas também não lhe é incompatível (os membros do Genesis chegaram a analisar que tinham um grande público nos países católicos, com exceção de Peter Gabriel, que afirmou que o apoio à banda era mais expressivo nos bairros operários ingleses). O título Watcher of the skies vem de um poema de John Keats (1817).


Segundo Tony Banks: "On Foxtrot, the one song we had written beforehand was 'Watcher of the skies' which had grown out of me feeling around with Mellotron. We had hired in a Mellotron for Trespass and then went and bought one. In fact we bought one of the ex-King Crimson Mellotrons and Robert Fripp insisted it was one of they used on In the court of Crimson King"

(Em Foxtrot, a única canção previamente escrita por mim foi Watcher of the skies, quando aprendia a lidar com um mellotron. Nós havíamos alugado um quando fizemos Trespass e agora compramos um de Robert Fripp, que insistia que aquele era o mesmo mellotron utilizado pelo King Crimson em In the court of Crimson King)

O Mellotron usa gravações para produzir sons, não é um instrumento como um piano ou um órgão, e o som resultante  causava um grande impacto devido ao sua orquestralidade, algo original no rock. A letra foi escrita por Banks e Rutherford, vagamente baseado na ficção científica de Arthur Clarke, Childhood's End. Watcher of the skies passou a abrir os shows da banda, com adição de gelo seco e luzes ultravioletas, algo incomum àquela época, era uma forma de avisar à plateia que se tratava de um concerto do Genesis.


"A flower?"

Time Table fala de uma época de reis e rainhas, tem uma introdução intimista de que gosto muito e evolui para algo mais épico. Sim, evolui, porque esta é uma das características do rock progressivo, as músicas têm um desenvolvimento, assim como na música clássica e no jazz, não é algo feito para sacudir o corpo, e na adolescência eu adorava ouvi-las com muita atenção, aproveitando cada detalhe da composição.

A carved oak table,
Tells a tale
Of times when kings and queens sipped wine from goblets gold,
And the brave would lead their ladies from out of the room
to arbours cool.

A time of valour, and legends born
A time when honour meant much more to a man than life
And the days knew only strife to tell right from wrong
Through lance and sword.


(Um tabuleiro esculpido em carvalho
Conta uma história
Dos tempos em que reis e rainhas tragavam vinho de taças de ouro
E os bravos conduziam suas damas para fora da sala, para o frescor das árvores.

Um tempo de heroísmo, e lendas criadas
Um tempo em que a honra significava muito mais para um homem do que a vida
E os dias sabiam apenas disputar em distinguir o certo do errado
Através da lança e da espada).



Get'em out by friday é a primeira faixa que mostra uma preocupação social de Peter Gabriel, narra sobre uma família que foi despejada de sua residência. O Genesis foi uma banda não-militante, a política no sentido mais estreito não foi a preocupação predominante da galera universitária de classe média abastada do sul britânico. A melhor canção que ilustra a postura deles foi Blood on the rooftops, do álbum Wind and Wuthering ("Arabs and jews, boy, too much for me"). Já Peter Gabriel se tornaria o artista mais íntegro de que tenho notícia, alguém vivamente empenhado no bem das populações mais carentes, sem o estrelismo de um Bono.

Get 'em out by Friday!
You don't get paid till the last one's well on his way.
Get 'em out by Friday!
It's important that we keep to schedule, there must be no delay.

I represent a firm of gentlemen who recently purchased this
house and all the others in the road,
In the interest of humanity we've found a better place for you
to go, go-woh, go-woh


(Tire-os de lá até sexta
Você não será pago até que o último saia de lá
Tire-os de lá até sexta
É importante manter o planejamento, não pode haver atrasos

Eu represento uma companhia de cavalheiros que compraram
esta e outras casas desta rua
Pelo interesse humanitário nós encontramos um melhor lugar para vocês
go-woh, go-woh)




Can utility and the coastliners é a faixa de que menos gosto em Foxtrot, nunca me dei o trabalho de traduzi-la, não sei qual é o seu tema. Horizons é uma belíssima composição do guitarrista Steve Hackett, uma exceção na obra da banda, a única vez que o grupo lançou uma faixa solo, ainda que com menos de dois minutos. Hackett é exímio guitarrista, e sabe aproveitar a sonoridade de cada acorde, de cada nota.


O vestido e a máscara de raposa que deram as capas dos semanários musicais  para o Genesis.

E aí vem Supper's Ready, um dos grandes marcos do Genesis, com uma suite de vinte e três minutos, tocada in totum ao vivo até os idos de 1977. É uma das faixas preferidas dos fãs. Dividida em várias partes, tem uma letra meio inacessível, e que só pude compreender lendo (muito) sobre a banda. O ponto alto é Willow Farm, onde o tecladista Tony Banks, o som da banda, se esmera. O final épico, Apocalypse in 9/8, meio que como uma vitória das forças do Bem, seria, de certa forma, inspiradora de The gates of delirium, do Yes (1975).

Tony Banks: The key track on this album was "Supper's Ready", which had started off acoustically, like 'Stagnation' e 'Musical Box'. I'd written a descending chord sequence on the guitar, and, we were playing in somewhere like Cleethorpes, I was in the changing room tuning the guitar and playing these chords. The room has a fantastic acosutic which made this particular chord sequence sound wonderful. Mike walked in and said, 'That sounds great, what's that?' So he learnt the part and we played it together, and then we got the others in and played this sequence to them. I didn't know we wre going to do with it, but it was obsviously something we could use as a starting point.

(A faixa principal do álbum era Supper's ready, que eu comecei a compor no modo acústico, como em Stagnation e Musical Box. Eu compus uma sequência descendente de acordes no violão, e tocávamos em algum lugar como Cleethorpes, eu estava no vestuário afinando a guitarra e tocando estes acordes. A sala tinha uma acústica fantástica que fazia esta sequência de acordes soar maravilhosa, Mike [Rutherford] veio até mim e disse: 'muito legal, o que é?'. Ele aprendeu os acordes, tocamos juntos, chamamos os outros e a tocamos para eles. Eu não sabia até onde chegaríamos com isto, mas era óbvio que podíamos utilizá-la como um ponto de partida.)




Apocalypse in 9/8 foi inicialmente composta por Banks e Rutherford, Steve Hackett e suas guitarras foram o terceiro elemento, e Peter Gabriel acrescentaria as suas letras posteriormente. Mas Gabriel já tinha Willow Farm, a princípio uma canção à parte, mas o grupo decidiu incorporá-la à Supper's Ready. Particularmente, acho que Supper's ready não é de todo harmônica, como em Close to the Edge, lançada no mesmo ano pelo Yes, mas esta minha opinião é muito herética, rs...

Tony Banks tentou evitar que Peter Gabriel cantasse os seguintes versos no final épico de Supper's ready, que pretendia ser tão somente instrumental.

666 is no longer alone,
He's getting out the marrow in your back bone,
And the seven trumpets blowing sweet rock and roll,
Gonna blow right down inside your soul.
Pythagoras with the looking glass reflects the full moon,
In blood, he's writing the lyrics of a HIP brand new tune


(666 não está mais sozinho,
Ele está saindo da medula em sua coluna,
E sete trompetes soprando o doce rock and roll
Vai explodir na sua alma.
Pitágoras com a lente reflete a lua cheia,
Com sangue, ele está escrevendo a letra de uma nova canção).

Mas ele verificou que o resultado final era muito bom, algo que afirmou em entrevistas: isto somente poderia ocorrer coletivamente, em uma banda. Eu sempre acreditei neste ponto-de-vista e é uma das razões pelas quais não gosto de membros de grandes grupos saírem em pobres (musicalmente) carreiras solo.

Steve Hackett: When we finished Supper's ready I wasn´t sure whether anyone would like such a great long piece of music. The world Elgar comes to mind for some reason, Elgar on acid perhaps. We weren't on acid, we weren't on drugs, we were on beer and wine and Earl Grey. I thought the game was up, no one was going to like it, the record company were going to sack us and we would disappear into a black hole. I was proved so wrong and I've never been so happy to be proved so wrong: it ended up becoming the band's anthem.

(Quando terminamos Supper's ready eu não estava seguro se alguém agradaria daquela canção tão extensa. A palavra Elgar [Edward Elgar, compositor inglês, 1857-1934] veio à minha mente por alguma razão, Elgar em ácido, talvez. Nós não tomávamos ácido, não usávamos drogas, nós bebíamos cerveja, vinho e chá. Eu pensei que o jogo estava acabado, a gravadora iria nos demitir e ficaríamos em um beco sem saída. Eu estava tão errado, eu nunca fiquei tão feliz de estar tão comprovadamente equivocado, [Supper's ready] seria a antena do grupo.)




Durante a turnê de Foxtrot, Peter Gabriel, em um concerto em Dublin, decidiu usar um vestido vermelho e uma máscara de raposa ao final de Musical Box. Com a banda apresentando longos trechos instrumentais, Gabriel ou tocaria um bumbo ou sairia de cena, como fazia em Stagnation. Segundo Tony Banks, Peter Gabriel não foi feito para o palco. Mas Gabriel tem outra versão:

I decide it to use in a show in Dublin. I might have told the band my plan, but if so it would have been just beforehead, I certainly wasn't always upfront about everything because you'd end up having these endless debates and I'd think, 'Oh, fuck it, I can'be bothered'. There was a silence when I walked out on the stage in this outfit. I think that very few people had seen a man in a dress at that point and certainly not one wearing a fox's head as well. There was a sense of shock and it was very exciting. And I thought, 'We're on to something'.

(Eu decidi usá-la em um concerto em Dublin. Eu podia ter avisado aos demais membros da banda, mas eu não tomava a frente de tudo porque isto acabaria em um daqueles debates intermináveis, então, eu pensei, dane-se, não vou me aborrecer. Houve um silêncio na plateia quando apareci fantasiado. Eu pensei que poucas pessoas haviam visto um homem usando um vestido, quanto mais com uma máscara de raposa. Houve um choque e foi muito excitante. E eu pensei: fizemos algo)




O então baterista Phil Collins repercute este fato em outros termos: afirmou que não ficou empolgado e nem aborrecido com a fantasia em si, mas que, assim como os demais membros, não gostou da crítica especializada dar mais atenção às roupas de Gabriel do que ao som da banda.

Estas divergências entre Gabriel e os demais provocariam a cisão do grupo dois anos mais tarde, mas ainda renderia duas outras obras primas: Selling England by the pound (1973) e  The lamb lies down on Broadway (1974). Mas isto são outros posts.

Fonte: DODD, Philip (ed.) Genesis. Chapter and Verse. New York: Thomas Dunne Books, 2007. 360p. Pp 98-127.