Juiz de Fora

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segunda-feira, 14 de março de 2011

New and notable (12)


The king of limbs
(Radiohead/2011)


Não sou mais fã do Radiohead, e depois de OK Computer só prestei atenção na banda porque muita gente boa tem o grupo em alto conceito. De qualquer maneira eu ouço música no varejo, bem faixa-a-faixa, e a minha opinião se forma do particular para o geral. Desta forma, nada me impede de gostar muito de uma coisa ou outra. Dito isto os primeiros minutos podem ser um fator de estímulo, ou não, dado que a minha disciplina me impõe ouvir todo o disco antes de emitir uma opinião mais sintética. O oitavo álbum do grupo vem com uma capa bem feinha, a meu ver, e me parece um recado para os fãs de que o grupo vai manter a linha que lhe caracteriza: um gosto acentuado por estados tristonhos ou algo próximo, está me faltando a palavra adequada, mas um sentimento que não é bem de revolta, nem de depressão, mas uma certa prostração latente ou inconformismo de quem não vai abraçar uma causa coletiva e nem mergulhar no escapismo. Esta postura pode dar bons resultados estéticos, mas não é o som que vai me cativar, que está mais para o humanismo lírico, para o romantismo épico, ou para a intensidade das guinadas históricas.

As primeiras faixas dão todo o destaque ao cantor Thom Yorke, mas ainda assim é um som de banda, oferece uns ritmos bem instigantes e a eletrônica, bem discreta, é mais estimulante que o vocal característico de Yorke. A minha preferida é Lotus Flower, que eu imagino que vai ser, ou já é, a faixa de trabalho. Ao final, este pode ser o primeiro cd significativo do ano. Mas quem esperava mais um cd surpreendente pode se decepcionar. É mais um lançamento do Radiohead, não muito mais do que isto.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Discoteca Básica (43)

OK Computer
(Radiohead, 1997)




Quando este cd foi lançado (e quase simultaneamente no Brasil) todo mundo já sabia que o Radiohead havia ganhado o seu espaço - ou sua gaveta - na história do rock. A recepção foi unânime, embora a crítica especializada insistisse em dizer que o anterior The Bends (1995), - o da belíssima faixa Faking Plastic Trees (todos no Brasil, maiores de vinte anos, devem se lembram da propaganda com o garoto portador de Down) - lhe fosse superior, no que eu discordo, juntamente com o público que colocou OK Computer em primeiro lugar nas paradas britânicas. Acredito que esteja entre os mil melhores discos de quaisquer gêneros musicais criados pela humanidade (já entre os cem, penso que não). De minha parte é o melhor dos sete álbuns da banda até agora.



Não sei como os seus fãs se relacionam com Thom Yorke e o Radiohead. Ouvi OK Computer em uma época em que trabalhava em uma escola repleta de grandes problemas, e a tristeza e melancolia do álbum me acertaram em cheio. Alguns anos após adquiri um documentário sobre a banda (Meeting People is Easy), e passei a ter a forte impressão de que tudo não passava de um fiasco, aquele baixo astral todo era ironia e estratégia de vendas. Kid A (2000) e Amnesic (2001) reforçaram esta impressão e mal passei da primeira audição. O show deles no Brasil, em março de 2009 (veja abaixo), juntamente com Kraftwerk, me pareceu muito bom, mesmo pela tv, e onze entre dez pessoas que foram vê-los ao vivo mo descreveram com uma experiência marcante.

As minhas preferidas de OK Computer são Airbag (é de eriçar os pelos quando um disco já começa muito bem), Subterranean Homesick Alien (fortemente influenciada pela sonoridade do U2, believe it or not), o ápice em Exit Music, a esperançosa Let Down, as letras de 7 fitter happier e a baladinha No Surprises. Karma Police tocou à exaustão na MTV, que na época era um canal de música, se é que eu ainda não comentei isto, e garantiu o absinto da rapaziada.

Clipes ofíciais indisponíveis.