Cool jazz de primeira, é um disco muito bem sucedido, levando-se em conta que explora compassos não muito assimiláveis (9/8 ou 6/4, por exemplo) ao ouvido médio, acostumadão aos 4/4 ou 4/2. Pode ouvir sem medo.
Coloquei esta capa aí de cima como poderia ter colocado qualquer outra. Na verdade só tenho coletâneas de Chet Baker, e tal como ocorre com Charlie Parker, por exemplo, é difícil diferenciar um autêntico disco de estúdio com gravações ao vivo e coletâneas (sua discografia inclui cerca de cem obras, e pela excelente biografia que li, ele não era tão produtivo assim).
Chet Baker era trompetista e cantor, um degrau abaixo de Miles Davis (que não o suportava), mas muito mais degraus de sucesso acima, por ser branco, agradar em cheio a mulherada (ele danificou a vida de várias), e fazer um som mais contido e melodioso.
Viciadíssimo em heroína, durante os últimos trinta anos de vida viveu somente para a droga, não demonstrando qualquer sentimento de amizade, amor, compaixão, o que for, por diversas pessoas que o veneravam.
Stan Getz era saxofonista, filiado ao cool jazz, sofreu influência de Béla Bartók e difundiu a bossa nova de João Gilberto e Tom Jobim. O sax tenor conduz toda a obra, acompanhado por uma parcial orquestra.
Wes Montgomery era o guitarrista preferido de Steve Howe, do Yes. Baixei esta coletânea mês passado. Após uma vinte faixas iniciais, é tudo muito bom. Guitarristas de jazz, àquela época, eram raros.
O seu som não faz força para agradar o ouvinte, mas é como um amigo que não te deixa ir embora. Muito constante, valorizando cada nota musical, é o tipo de música que eu gostaria de ouvir em casas noturnas de jazz, coisa que Juiz de Fora não tem (refiro a este jazz, não a fusion, ou blues).
Se eu ganhasse na Mega-sena (nem jogo), abrira uma e pagaria as pessoas para lá irem.