Sagarana
(Guimarães Rosa/1945)
Não li Guimarães Rosa anteriormente por duas razões: a primeira porque a leitura inicial de Grandes Sertões: Veredas só gerou em mim um sentimento: tédio; a segunda, porque o magistério, particularmente o das séries inicias, adora fingir que lê, entende e ama a obra deste grande escritor nacional. Já deixei de ler, ver e ouvir muita coisa por antipatia aos seus fãs, o que no fundo é uma bobagem, mas cultura tem que ser, acima de tudo, prazeirosa.
Mas dever de casa é dever de casa, e para hoje está marcada a análise de sua última novela, A hora e a vez de Augusto Matraga. Após a leitura de suas primeiras quinze páginas fiquei um pouco desmotivado e busquei resumos na net, de vestibulandos mesmo, este hábito que nenhum mestrando gosta de assumir, mas prefiro-o a simplesmente lançar mão da clássica desculpa: "Não li porque não tive tempo". Tendo compreendido o enredo, coloquei-me diante das páginas restantes. Não vou aqui analisar esta obra que já foi e continuará sendo produto de sérios estudos literários. Ao leitor, posso afirmar: a sua compreensão não está muito acima de um romance médio, os neologismos criam poucas dificuldades; o regionalismo é, aparentemente, noventa por cento da obra, e se a pessoa não se interessa pelo mundo rural das Gerais é bom procurar outra coisa para ler. Mas após a vez do Nhô Augusto comecei a obra do seu início.
