Juiz de Fora

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domingo, 18 de dezembro de 2011

O Panótico vê aqui e agora (183)


Ten
(2002)



Na Teerã contemporânea um carro dirigido por uma mãe estaciona e pega o seu filho adolescente para levá-lo ao clube. A mãe, ao invés de conversar sobre assuntos amenos resolve abordar o filho sobre o seu divórcio e seu ex-marido. Nós não a vemos, mas apenas a performance dramática impecável do garoto, revoltadíssimo com a separação dos pais, como não? A mãe, ao meu ver, em vez de abordar o assunto, mais uma vez, de uma forma que possa abarcar a posição do garoto, prefere iniciar uma longa fala feminista (muito justa e compreensível para os adultos) e acusa o moleque com as mesmas palavras com que provavelmente acusou o marido: machismo, imaturidade, egoísmo, etc. O menino se desespera de ter que ouvir novamente as queixas de sua mãe, quer expor o seu ponto de vista, à maneira difusa de um menino de uns doze anos, mas a mãe quer que ele entenda a sua situação de mulher oprimida como se o adolescente fosse um estudante universitário ou militante político.




Eu já havia visto esta parte umas três vezes na tv paga, e da primeira vez achei que se tratava de um diálogo real, de um semi-documentário, jornalismo crítico ou algo assim. Abbas Kiarostami é o diretor de Ten, de quem já vi Através das Oliveiras e Cópia Fiel, já comentados aqui. As dez cenas envolvem diferentes pessoas que pegam carona com a protagonista pelas ruas da capital iraniana, mas o ponto alto, a meu ver, é a cena inicial que descrevi. A veracidade do confronto familiar pode ter uma explicação no fato de os protagonistas realmente serem mãe e filho.