A tradicional corrida de 24 horas de Le Mans deveria ser proibida.
Realizada no noroeste da França desde a década de vinte, cinquenta e cinco carros percorrendo um circuito de treze quilômetros em aproximadamente quatrocentas voltas, consumindo mais de duzentos mil litros de combustível e mais de dez mil pneus. Que prejuízo para o planeta.

Mas enquanto não proibem - e duvido que isto aconteça nas próximas décadas - esta corrida fascinante me empolga, particularmente durante a madrugada. Palco da disputa entre Ford, Ferrari e Porsche, conforme imortalizado em filme com Steve McQueen (1969), o foco nas dois últimos decênios tem sido os protótipos, carros não comercializáveis que já chegaram aos 400 km/h, e nas últimas dez corridas os Audi têm demonstrado serem menos rápidos que os arquirrivais Peugeot, mas mais confiáveis. Na edição do ano passado os quatro Peugeot 908 pegaram fogo e cederam o pódio para os três Audi R15. Para este ano o predomínio dos 908 sobre o novo Audi R18 parece que se repetirá em termos de velocidade final, conforme já evidenciado na corrida de 1000 km de Spa Francorchamps realizada no último fim de semana.