Juiz de Fora

Mostrando postagens com marcador 1982. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1982. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de setembro de 2012

My 1982 best loved rock albums (9)




I advance masked
(Robert Fripp & Andy Summers)

Em 1982 eu já era fã do King Crimson e tinha curiosidade sobre o The Police. Por um lado me parecia uma banda pop qualquer - conheci-os por meio do vídeoclip de De do do do da da da que rolava direto no Chacrinha - mas sentia qualidade na banda. E aí o guitarrista Robert Fripp gravou este disco (importado no Brasil) com Andy Summers, guitarrista da banda de Sting. Passei a ver o Police de outra forma e ficou claro para mim a competência de Andy Summers, Robert Fripp era aval para qualquer currículo. I advance masked é todo instrumental, com farto predomínio de guitarras e sintetizadores Roland e Moog, lógico, mas não se trata de guitarreiros solando a esmo, mas de músicos virtuosos, com grande domínio técnico. É um álbum que por vezes não empolga, há exercícios disciplinados de ambos, mas é mais tranquilo e intimista do que o Robert Fripp tradicionalmente fazia com o King Crimson.



 
 
Obs.: o vídeoclip é bem feio, beira o ridículo, mas dá para conhecer o som.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

My best loved 1982 rock albums (8)



A broken frame
(Depeche Mode)


Ouvi este disco pela primeira vez em 1983, juntamente com outros lançamentos em vinil nacional: The Culture Club e Eurythmics. Dos três discos, A broken frame foi o que eu gostei mais. Simpatizei-me de cara com a capa, um tema de realismo socialista (o próximo lp, Construction time again, traria um operário com um martelo) mas com beleza. Nunca tinha ouvido falar de Depeche Mode e assim que ouvi a primeira faixa, Leave in silence, descobri se tratar de um grupo de technopop, mas mais interessante do que os demais. Com a ótima voz de Dave Gahan, e os sintetizadores do compositor de todas as faixas Martin Gore, mais Andrew Fletcher e o novato Alan Wilder (que substituiu o co-fundador Vince Clark, que foi criar o Erasure, outro grupo, não tão bom, de technopop) Leave in silence ainda hoje é uma de minhas preferidas do Depeche Mode. Também gosto bastante de My secret garden (veja a bela versão que abria os shows da banda em 1982). Só não tolero The meaning of love, típica faixa bobinha para chegar nas charts.

Não há muito o que falar mais sobre o Depeche Mode, banda que se tornaria mainstream no final dos anos oitenta, embora se ao grande público pareça mais uma dançante, não é assim que eu vejo o conjunto de sua obra. Este segundo disco do grupo me levou a acreditar que não se tratava de mais uma das muitas bandas de dois ou três discos típicas de qualquer época. Os lps seguintes mostrariam uma evolução no sentido de fazer um som consistente, com temática, melodia, apuro e, ao mesmo tempo, capaz de agradar as massas. Como todo fã de música, eu me frustro quando uma banda, objetivando maiores vendas, simplesmente abandona o que vinha fazendo de relevante e interessante e passa a compor previsíveis hits. O Depeche Mode é uma exceção, pois os seus discos posteriores, mesmo o mega-sucesso Music for the masses (1989), não trai a proposta original, fazer algo sensível, reflexivo, contemplativo, intimista, que faz pensar e é capaz de divertir.

Martin Gore, Dave Gahan, Andrew Fletcher e Alan Wilder.





sexta-feira, 1 de junho de 2012

My best loved 1982 rock albums (6)



Logos live
(Tangerine Dream)


Durante o início da década de oitenta eu aguardava, entre muitas outras coisas, o dia em que poderia entrar em lojas de discos de São Paulo ou Londres, e adquirir a coleção completa de bandas como o Tangerine Dream. Eu tive pleno acesso ao trabalho de grupos e pessoas como Kraftwerk, Vangelis, Jean Michel Jarre, e mais alguns da área eletrônica, mas na minha cabeça o melhor de todos era o grupo alemão. Por esta época eu sabia que o Tangerine Dream já havia lançado uns quinze discos, e eu tinha uma gravação de Rubycon e mais nada. Com a minha bolsa de mestrado aproveitei para comprar umas bolachas importadas, pois os cds importados tinham um custo proibitivo. Foi assim que adquiri Stratosfear, Ricochet, Cyclone, Phaedra, Poland, Exite, Zeit, Alpha Centauri, Force Majeure, Poland e Quichotte.  Também ouvi álbuns menores como Green Desert, Thief, Tangram e outros. Em 1989 saiu no Brasil o cd Optical Race, um dos primeiros da minha coleção de cds. E foi neste mesmo ano que ouvi Logos Live, que certamente não é a melhor obra do Tangerine Dream, no seu conjunto, mas é certamente o trabalho que eu mais ouvi.



Com o fundador Edgar Froese, mais Chris Franke e Johannes Schmoelling (em substituição a Peter Baumann, que, por sua vez, substituiu o prolífico Klaus Schultze), Logos live é uma gravação de parte de um show com material totalmente inédito até então, no cinema Dominion, no centro de Londres. Composto de três faixas (o show completo você ouve na série Tangerine Tree, já resenhada aqui), as duas últimas faixas fazem um eletrônico bem anos oitenta, meio quadradinho, bem cinematográfico ou até televisivo, razão pela qual não acho este disco o melhor do grupo, sou mais Rubycon, Ricochet  ou Cyclone. Em compensação, a faixa inicial, uma suíte de quase trinta minutos, me traz profunda alegria. Os cinco minutos do ápice do tema, a partir de vinte minutos de execução, a sua imponência, o seu lirismo, o tom épico de um certo triunfalismo humanista, a ótima combinação de uma melodia inteligente, mas também simples, a harmonia de diversos fraseados em um belo conjunto, bem, só ouvindo para entender. É destes momentos que a música me parece a mais interessante das artes, a mais envolvente, a que mais me traz felicidade.


terça-feira, 1 de maio de 2012

My best loved 1982 rock albums (5)



Nunsexmonkrock
(Nina Hagen)

Nina Hagen apareceu para mim do nada, instantaneamente, com o lançamento nacional de Nunsexmonkrock, nos idos de 1982. Foi de um grande impacto, e apesar do visual extremado, eu gostei de cara, porque havia muito o que ouvir. De baixo de algo caricatural, havia uma boa banda e uma senhora cantora, fazendo o rock da sacerdotisa sexy.



Ao contrário do que consta no Wikipedia, este é o terceiro disco de Nina Hagen. Os anteriores são o primoroso Nina Hagen Band (é titulo, de 1979) e o razoável Unbenhagen (1981). Antiworld já vem avisando que a dissidente da ex-Alemanha Oriental está pronta para dar o recado. Quem não gostou da gritaria parou por aí, e foi divertido ver a reação das pessoas ouvindo pela primeira vez o disco. Smack Jack  é a faixa pop do álbum, tocou razoavelmente nas tvs e radios fm, mesmo no Brasil. Taitschi-Tarot, uma caricatura nipônica é so divertida. Iki Maska é bem repetitiva, mas eu gostava bem. Em Future is now Nina Hagen fala sobre suas convicções hippie-intergalácticas, e começa cantando: "1968 is over". É uma percepção clara do significado político do contexto.

Muita gente duvidava da seriedade da moça, mas eu acho que o seu trabalho era uma leitura inteligente do mundo e da cultura pop do início dos anos oitenta. Quando ela veio para o Rock'n'Rio ('85) ela caiu no gosto ridículo da Globo, que a vendeu como uma palhaça, uma espécie de Elke Maravilha, Baby Consuelo ou personagem de Chico Anísio. Fiquei meio decepcionado porque ela deu bastante corda para tanto, mas mesmo assim fui nos seus shows por duas vezes, sendo que o segundo, no final do ano, em Belo Horizonte, me agradou de montão, com um repertório feito para fãs.



domingo, 1 de abril de 2012

My best loved 1982 rock albums (4)



Big Science
(Laurie Anderson)


Laurie Anderson eu conheci simultaneamente à Nina Hagen, em meados de 1982. Ao contrário da alemã, o seu som e imagem eram mais sérios, mais intelectualizados e curiosamente, uma artista estadunidense, país que para mim não trouxe quase nada de bom em matéria de rock, Este disco foi lançado rapidamente no Brasil, em menos de seis meses, dada a repercussão positiva de vendas nos EUA. A capa é sensacional.

O meu vinil continua em perfeito estado, trinta anos após a sua aquisição.


Encarte com letras era ocasional e desculpa para cobrar mais caro pelo disco.


From the Air ainda me apaixona, tudo nela me parece legal, a voz, o ritmo, os sintetizadores, mesmo sendo uma faixa maníaca, e que eu sempre tinha que aguardar a hora certa para poder tocá-la em alto e bom som aqui em casa. Big Science também é hipnótica, a letra não é cantada, mas narrada, boa parte da música, o que Laurie Anderson continuaria fazendo daí em diante. Não há guitarras e a melodia é toda ela em sintetizador. Sweaters eu nunca gostei, acho o saxophone irritante. As seguintes Walking & Falling eu mal me recordava, valiam mais pelos climas. O Superman é ótima, não apenas pela letra, mas pelo recurso novo (então) do vocoder e o ah, ah, ah, ah, eterno que dá ritmo à canção. Progressivamente os sintetizadores vão dando cor à canção, que é a melhor do disco. Example #22 me lembra Nina Hagen e Kraftwerk, não apenas por ser cantada em alemão, mas pelo tom de fanfarra. Letx=x/It tango é uma delícia, tem uma sanfoninha ou acordeão maneiro, um ritmo de música folclórica e um poderoso sintetizador à la Kraftwerk nas suas origens. A ciência continua grande.



Eu tinha o hábito de guardar resenhas no interior dos álbuns.


A Folha de São Paulo era a única fonte confiável para música no início da década de oitenta. Quem cresceu após a universalização da internet (1994) é um privilegiado.


segunda-feira, 5 de março de 2012

My best loved 1982 rock albums (3)



Beat
(King Crimson)


Ouvi Beat alguns meses após Indiscipline, os dois discos foram lançados no Brasil praticamente em seguida, fruto das suas boas acolhida nos mercados fonográficos britânico e estadunidense. O King Crimson foi o único grupo peso pesado de rock progressivo a se retirar de cena antes do furação punk de 1976/77. Agora, com a explosão de tendências de '81/'82 o grupo tinha espaço novamente. Mantendo-se fiel às carcterísticas do progresivo: belas melodias, harmonias e arranjos trabalhados, competência técnica, temática adulta, postura profissional, etc. Beat é um disco com canções de poucos minutos mas muito conteúdo. Utilizando diversas referências da literatura beat de Jack Kerouac e Allen Ginsberg, o que ouvimos são dois magistrais guitarristas: o dono do grupo, Robert Fripp, meu guitarrista predileto de todos os tempos, o cantor estadunidense Adrian Belew, que pouco compreendia da filosofia do grupo, mas era um elemento mais comunicativo da banda, o baixista Tony Levin, que já havia trabalhado com Peter Gabriel, e Bill Bruford, ex-Yes e Crimson da primeira fase, terceira formação.


Robert Fripp, Tony Levin, Bill Bruford e Adrian Belew.


Neal and Jack and me já inicia o disco com uma melodia envolvente, e tensa. Heatbeat foi a faixa de trabalho e chegou a tocar nas rádios nos programas alternativos. A minha preferida é a toda instrumental Sartori in Tangier, equivalente à ótima The sheltering sky, do disco anterior. Só não gostei de Requiem, achei-a um experimentalismo primário para um grupo tão disciplinado.



Robert Fripp e Adrian Belew

Já sabendo à época que havia um terceiro disco para completar a trilogia com capas nas cores primárias, fiquei com a sensação de que o rock progressivo poderia voltar à tona, não mais com uma tendência vitoriosa, óbvio, mas como um segmento relevante da música pop. Nos anos seguintes dezenas de bons discos foram lançados pela geração dos setenta. Hoje há centenas de bandas cover dos grandes grupos levadas a sério por jovens universitários.



Competência musical não se perde, aqui não se trata de roupas, juventude e escândalos.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

My best loved 1982 rock albums (2)


War
(U2)



O meu segundo disco preferido do ano de 1982 tem duas peculiaridades: eu apenas o conheci três anos após o seu lançamento, assim como a maioria dos roqueiros brasileiros. A banda irlandesa U2 ficou conhecida na Europa com este War, o seu terceiro álbum, e no circuito universitário estadunidense no ano seguinte, com o ao vivo Under a bloood red sky. Mas, conhecido do mundo, somente com o estouro de Pride, de The unforgettable fire. Sunday, bloody sunday e New Year's day já eram exibidas à exaustão nos poucos e pobres canais que passavam programas de videoclipes (a MTV brasileira era rara, somente nas principais capitais, pelo que me recordo). A segunda peculiaridade é que eu não consigo mais ouvi-lo, saturei, não cheguei sequer a comprar o cd, conservo ainda o vinil mas não o ouço há um quarto de século.




Além destas duas faixas, eu gostava - e ainda gosto - de Surrender e Seconds. 40 tinha grande apelo popular e sempre encerrava os shows do U2, por muito tempo. Two heart beat as one foi lançado como single no Brasil, algo raro, já que os donos de lojas de discos queriam vendê-los pelo preço de um lp. Independentemente de que eu não suporte mais Sunday, bloody sunday e New year's day, há muito tempo, War é um discaço, e uma grande síntese do rock britânico de então: política, competência musical, temas cosmopolitas e uma certa militancia difusa (Bono já era pacifista, mas não era um crítico global). Com vinte e poucos anos, eu confiava nos músicos do perfil do U2. Duvido muito que alguém prevesse a superbanda que o U2 viria a se tornar e que durasse por três décadas.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

My best loved 1982 rock albums (1)



Songs of the free
(Gang of Four)

1982 foi um dos melhores anos da música pop, aquele que efetivamente estampou a década de oitenta em matéria de cultura e música urbana. O predomìnio do rock inglês era indiscutível, e aqui, no Brasil, São Paulo ultrapassou o Rio como capital cultural alternativa do país. No ano anterior, houve a guerra dos estilos no Reino Unido, o punk havia dado uma dúzia de tendências musicais dentro do cenário do rock. Com o atraso normal, e a enorme resitência (ou burrice) dos diretores das gravadoras nacionais, o jeito era comprar os lançamentos importados, a três vezes o valor do lp nacional, ou, como era o meu caso, apelar para os amigos mais velhos que já trabalhavam. Época das fitas cassettes, não foi fácil acompanhar as dezenas de lançamentos mensais. Para aqueles adolescentes criados na cultura progressiva dos anos setenta havia uma grande desconfiança em relação às novidades, era visível que muitas das novas bandas não durariam mais que dois ou três anos. Mas com dezoito anos de idade a curiosidade e a vontade de curtir o momento pesam bastante. Eu nem achei a década de oitenta o melhor dos tempos e nem fechei os olhos para o que vinha.


Não foi fácil escolher os dez discos que mais gostei daquele ano premiado. Novamente aqui o critério é obviamente afetivo, mas é indiscutível que se tratam de grandes obras, e diversos álbuns que serão aqui comentados tiveram um efetivo impacto na cena roqueira mundial.




O Gang of Four (Camarilha dos Quatro, o grupo de burocratas que desmandaram na China nos últimos anos de Mao) é um grupo de Leeds, norte da Inglaterra. Sua formação original (1977) reunia o cantor Jon King, o guitarrista Andy Gill, o baixista Dave Allen e o baterista Hugo Burham. Seu primeiro álbum, Entertainment!, é muito reverenciado pela crítica especializada britânica, embora eu não o considere tão bom assim. Já este Songs of the free  é outra conversa. É um disco envolvente, com melodias marcantes, pulsante, com forte personalidade, letras em um nível muito acima da média do rock, um disco que empolga e faz pensar.


O disco começa com Call me up, onde a banda aborda a diversão como falta de opção para uma vida sem sentido, à espera da Terra Prometida. O Gang of Four é simultaneamente contemporâneo e herdeiro do punk, mas suas letras oferecem uma crítica sistemática e não apenas uma aspiração adolescente por anarquia e destruição.

Call me up, if I’m home
Don’t say too much, I might be upset
Let us agree to differ
We’re consumed by competition

Having fun is my reason for living
(give me a break)
Having fun is my reason for living
(give me a break)

Call me up, if I’m alone
I don’t like to spend too much time on my own
I need to have diversion
Consume me with a new passion

Having fun is my reason for living
(give me a break)
Having fun is my reason for living
(give me a break)

We are all in competition
Better move fast gobble up your dinner
Take a tip - get hip!
It’s not so bad in the promised land
It’s not so bad in the promised land
It’s not so bad in the promised land
How do I fill my days?
A force called "hard cash" moves my feet




A segunda faixa, I love a man in uniform, é a marca registrada do álbum, a canção de maior apelo. Embora se trate de um hit, na época em que ouvi o que mais me chamou a atenção foram as guitarras e os vocais, não me parecia uma música de pista, mesmo porque 1982 estava bem longe da antiga discoteca e muito antes da explosão dance de '88. Pelo que li na época, a banda criticava a mentalidade militarista de um jovem, e o fascínio do uniforme sobre algumas garotas.

Em Muscle for Brains: "Por razões que não são misteriosas, os mais fracos vão para o paredão. Eles têm reservas no céu, mas aqui não estão na moda". O rock brasileiro ainda estava engatinhando e era pouco crítico, e vivíamos o ínicio da crise do militarismo. As letras em inglês não chamavam a atenção da mídia e sua auto-censura.

For reasons that are not mysterious
The weak are sent to the wall
They have reservations in heaven
Down here they're not so fashionable

Life, it's a shame é uma de minhas preferidas. O instrumental introdutório passa uma noção de imensidão e colisão, é ambiental e angustiante. É, meu (minha) amigo (a), a vida pode ser uma lástima. "Você e eu, nós somos satélites"

To act for the good for congressman is money
The right to get rich is in the constitution
Talk of corruption is to preach insurrection
Elected to power men suspend self-interest

I will be a good boy I é uma canção para quem curte uma guitarra nervosa, monologando, mas em harmonia com o resto da música, não tem a ver com solos autônomos de guitarra. Não capto o tema da canção, mas há uma referência ao fato de dançarmos enquanto o dólar cai, bom, a crise do sistema é uma constante no disco.




The history of the world é tudo de bom, - já não bastasse ter o refrão instrumental mais bonito do disco -, e tem um significado a mais para mim, pois eu estava no início da graduação em História. Os meus colegas de faculdade eram fãs de MPB, o mundo deles ia da serra mineira ao litoral fluminense. O sonho deles era Havana, e o meu, Londres. Eu tinha vontade de dizer para eles: "Olhem, ouçam este disco, os caras falam dos mesmos assuntos que vocês gostam", mas eu sabia que só por ser em inglês já era estrangeiro, imperialista, alienado, burguês, ai que saco. A letra usa o conceito marxista de relações de produção, quer mais o quê?  Life, it's a shame...

Mother had for me an egg
I understood the relations of production
She always provided for me
That's where I lost my naivet
Stability is in my mind
I associate with my kind
Charity, it fills my heart
To help the poor in Africa

Good, yes, you've done well
Here is a small prize
The history of the world


We live as we dream, alone, eu a compreendia numa acepção mais existencial, no sentido de que vivemos e sonhamos solitários, mas a letra tem um conteúdo mais sócio-político. O disco encerra com Of the instant que possui um clima meio de fim de dia, tranquilão, alguém que vai descansar depois de tanto confronto. É uma pena que o disco posterior do Gang of Four, Hard (1983), não manteve o mesmo nível deste Songs of the free.