Juiz de Fora

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sexta-feira, 1 de março de 2013

My best loved 1983 rock albums (3)




Genesis

Genesis é o décimo-terceiro álbum do Genesis, o sexto com o baterista Phil Collins nos vocais, e o terceiro em que a banda estava assumidamente fazendo um som bem pop. Após Abacab (1981), fiquei com receio de que o Genesis se descaracterizasse por completo, e o rock progressivo da banda fosse coisa do passado glorioso. A minha esperança, no entanto, era o tecladista Tony Banks, eu estava certo de que ele não deixaria de lado o seu papel crucial no grupo.

E não deu outra, assim que o disco em vinil saiu no Brasil o comprei, embora reticente com a capa infantil e a ausência de título no vinil. Mal começa a tocar Mama, faixa pelo qual os ouvintes apelidaram este lançamento, senti que havia uma procura de conciliar músicas de sucesso com melodias de qualidade. 

As minhas preferidas são Home by the Sea e Second Home by the Sea. Para mim, que o grupo sobrevivesse e faturasse eram necessidades da vida, contanto que não se tornasse apenas uma banda de apoio às canções melosas de Phil Collins.










terça-feira, 1 de janeiro de 2013

My best loved 1973 rock albums (1)





Selling England by the pound
(Genesis)



Genesis em sua formação clássica (1971-4): Peter Gabriel (cantor e alma filosófica da banda), Tony Banks (tecladista e alma musical da banda), Phil Collins (baterista e alma pragmática da banda), Mike Rutherford (baixista e alma trabalhadora da banda), e Steve Hackett (guitarrista e alma romântica da banda)




Mike Rutherford e Tony Banks costumavam compor com violões de doze cordas. Steve Hackett sempre tocava ao vivo sentado, e usava óculos e barba porque "queria parecer que tinha quarenta anos, ser respeitado como um cara  mais velho". Phil Collins ganhou a vaga de baterista assim que tocou pela primeira vez na banda. Independentemente do que fez como cantor nos anos oitenta, é indiscutível que Phil Collins é um músico talentoso.



No início de 1979 a banda pela qual eu estava mais interessado era o Kraftwerk. Mas o Genesis ia crescendo no meu coração e na minha mente a olhos vistos. Após ter ouvido ... and then there were three (1978) e A trick of the tail (1976) (dois discos com o baterista Phil Collins à frente da banda) eu fui ouvir e me apaixonar por Trespass (1970) (já resenhado aqui) e este Selling England by the pound (lançado em outubro de 1973), todos dois da fase áurea da banda com o genial Peter Gabriel no comando.




A primeira coisa que me chamou a atenção foi a capa e o título, que me evocavam imagens de uma obra com temática (algo característico do rock progressivo), e que iria debruçar-se sobre a cultura e a sociedade britânica. O vinil (lançado no Brasil em meados de 1974) era de meu vizinho e e eu tive o prazo exíguo de uma semana para ouvi-lo tudo o que podia. Foi uma pena que o meu inglês de oitava série de escola pública era largamente insuficiente para traduzir as letras. Em compensação, as melodias eram mais do que eloquentes. Selling England by the pound é o disco preferido da maioria dos fãs do Genesis, em pesquisas várias vezes levantadas. Vamos a ele.


A banda em Nova York (dezembro de 1972) 



Phil Collins: "I remember Selling England by the pound being a very bright period of work. We wrote a lot of it in a little house of Chessington: a friend  of ours knew somebody who had this rambling house and we moved in and took over the living room for a while." (p.141)

(Lembro-me de Selling England by the pound ter sido uma época muito brilhante de trabalho. Nós compomos bastante do disco, em uma pequena casa de Chessington: um amigo nosso conheceu alguém que tinha uma casa afastada e nos mudamos  e utilizamos a sua sala por um tempo.)




Peter Gabriel: "I was very keen to try and focus our Englishness because American music at the time was the critics' darling and I thought it would be nice to respond with something  of our own.  Although we did have our American influences  there were many English and European elements. The idea was  to see how parts of and older Britain had been absorbed and taken  on new life  within a modern  world; The battle of Epping Forest, for example, tried to graft an English gangland scene to a slightly Hogarthian landscape. (p.144)

(Eu estava muito interessado em tentar concentrar em nossa britanicidade porque a música americana na época era a queridinha dos críticos e eu pensei que seria bom responder com algo nosso. Embora tenhamos as nossas influências americanas havia muitos elementos ingleses e europeus. A idéia era ver como o passado inglês havia sido absorvidos e levado em a uma nova vida dentro de um mundo moderno, "A batalha de Epping Forest", por exemplo, tentou um levar um cenário inglês gangland (?) a uma paisagem um pouco hogarthiana.)




Steve Hackett: "I still wasn't much of a writer and the more I worried about it the less the writing came easily to me. The worst thing about writer's block is worrying about it. By the time of Selling England by the pound, though, my approach was just to come up with guitar riffs, not whole tunes but riffs, and see if we could find a way to use them, never mind whole façades of buildings, come up with a few good bricks, the odd window, the old good bit of  pointing. But my confidence was at a low ebb. I felt that the others were so much more accomplished than me in terms of writing. I always expected someone was going to put a line throught it: 'Must  try harder. Must come with proper verse and chorus'. It was probably a product of the overbearing English school system: 'Knock them down and they'll get a very pleasant surprise by the time the exams come round'. But then chaps like me need encouragement. I need to be told that I'm better than I am. Flattery goes a long way with me. (p.144)

("Eu ainda não era propriamente um compositor e quanto mais eu me preocupava com isto, mais eu sentia dificuldades em compor. A pior coisa sobre o bloqueio de escrita é se preocupar com isso. Até a época de Selling England by the pound, porém, a minha abordagem foi apenas para chegar com riffs de guitarra, não melodias completas, mas riffs, e ver se podemos encontrar uma maneira de usá-los, não havia prédios inteiros, apenas boas fachadas ou bons tijolos. Mas minha confiança estava em baixa. Senti que os outros eram muito mais talentosos do que eu em termos de escrita. Eu sempre esperei que alguém ia colocar uma linha através disso: "Deve se esforçar mais. Tente versos e refrão adequados". Fui provavelmente um produto do sistema de ensino autoritário inglês: 'Derrube-os e eles responderão à altura na época dos exames". Mas caras como eu precisam de incentivo. É preciso que me digam que eu sou melhor do que eu sou. Bajulação funciona comigo")


 Peter Gabriel em Supper's Ready (1973) e In the cage (1974)

Tony Banks: "For Selling England we are slightly out of ideas. What we found is that we have three or four pieces we were playing all the time because we didn't have that many things to do. One of those songs became 'The battle of Epping Forest', which probably ended up having too much in it, because we were adding new bits on a daily basis. And the other one we played every day was 'I know what I like'. Steve had played this riif a lot of sound checks and I would play some chords, and we would improvise: it was such a good riff. During one improvisation I started playing this line on the fuzz piano with the chords changing underneath it and we have our chorus. Peter sang along on top of it and he and Phil got together a melody line for the verses. We didn't over-develop the song, and I like its simplicity, and thought that could have been quite a big hit, but the lyric was a little strange; it wasn't your average 'boy meets girl' lyric, but we weren't that interested in hits so we weren't worried one way or the other. That said, when we did release it as a single the following year, it did pretty well and there was a chance for us to be on Top of the Pops. We turned down. There were a few more quirky people appearing on Top of the Pops at the time, like Fairport Convention. But it didn't suit us, and so we didn't appear, which I think was right." (p.145)

(Para o Selling England, não tínhamos muitas ideias. Nós tínhamos três ou quatro canções que tocávamos o tempo todo porque não tínhamos muitas coisas a fazer. Uma dessas canções veio a ser The battle of Epping Forest, o que provavelmente acabou sendo muito extensa, porque estávamos acrescentando novos elementos frequentemente. E outra que tocávamos todo dia foi I know what I like. Steve tocava este riff em muitas passagens de som e eu acrescentaria alguns acordes, e gostaríamos de improvisar: era realmente um bom riff. Durante uma improvisação eu acrescentei uma nova linha no piano com os acordes mudando debaixo dela e chegamos ao nosso refrão. Peter cantou sobre ele e ele e Phil criaram uma linha de melodia para os versos. Nós não extendemos demais a música, e eu gosto de sua simplicidade, e pensei que poderia ter sido um grande sucesso, mas a letra era um pouco estranha, não era a típica canção de amor, mas não estávamos tão interessado em hits de modo que não estávamos preocupados com isso. Dito isto, quando foi lançada como compacto no ano seguinte, ela foi muito bem sucedida e foi uma chance para nós nos apresentarmos no Top of the Pops. Nós recusamos. Havia bandas mais peculiares do que nós  aparecendo no Top of the Pops, naquela época, como a Fairport Convention. Mas isso não nos convinha, e decidimos não nos apresentar no programa, e eu penso que foi a decisão certa.)


 O show com centenas de slides de The lamb lies down on Broadway



"Can you tell me where my country lies? 
Said the unifaun to his true loves eyes.
It lies with me! cried the queen of maybe
- for her merchandise, he traded in his prize.

Paper late! cried a voice in the crowd.
Old man dies! the note he left was signed old father thames
- it seems he's drowned;
Selling england by the pound.

Citizens of hope & glory,
Time goes by - it's the time of your life.
Easy now, sit you down.
Chewing through your wimpey dreams,
They eat without a sound;
Digesting england by the pound."




Você pode me dizer onde está o meu país?
Disse o unifaun aos seus verdadeiros e amorosos olhos.
Ele fica comigo! exclamou a rainha do talvez
- por sua mercadoria, ele trocou seu prêmio.

Jornal vespertino! gritou uma voz na multidão.
Velho morre! com ele havia um bilhete no rio Tâmisa
- Parece que ele se afogou;
Vendendo a Inglaterra por quilo.

Cidadãos de esperança e glória,
O tempo passa - é o tempo de sua vida.
Fácil agora, sente-se.
Mastigando através de seus sonhos Wimpey,
Eles comem em silêncio
Digerindo a Inglaterra por quilo.


Peter Gabriel inicia estes versos à capella, e a primeira sensação de que tive ao ouvi-la foi de que a banda iria contar uma estória. É uma lição básica: o rock progressivo não estava voltado para a dança ou diversão fugaz, é música para se concentrar. Ainda que a calmaria inicial possa provocar uma certa ansiedade, Dancing with the moonlit knight é um épico, do tipo que diz ao ouvinte a que a banda veio.





"It's one o'clock and time for lunch,
When the sun beats down and i lie on the bench
I can always hear them talk.

There's always been ethel:
"jacob, wake up! you've got to tidy your room now."
And then mister lewis:
"isn't it time that he was out on his own?"
Over the garden wall, two little lovebirds - cuckoo to you!
Keep them mowing blades sharp...

I know what i like, and i like what i know;
Getting better in your wardrobe, stepping one beyond your show."


É uma hora e é hora do almoço,
Quando o sol bate e eu me deito no banco
Posso sempre ouvi-los falar.

Sempre começava com Ethel:
"Jacob, acorda! você tem que arrumar o seu quarto."
E, em seguida, o senhor Lewis:
"Deixe o homem sossegado!"
Ao longo do muro do jardim, dois pombinhos - cuco para você!
Mantenha-os cortando as lâminas afiadas ...

Eu sei o que eu gosto, e eu gosto do que eu sei;
esconder-me em seu guarda-roupa e intensificar o seu show.

I know what I like é a faixa "comercial" do álbum, uma tentativa da banda em atingir um público maior. Por ser um hit, Phil Collins concordou em tocá-la nos shows da banda até os seus últimos concertos (em 2007). Eu gosto bastante, o fato de ser uma faixa mais tradicional não a torna ruim, e ela está em harmonia com o restante do álbum.




"The path is clear
Though no eyes can see
The course laid down long before.
And so with gods and men
The sheep remain inside their pen,
Though many times they've seen the way to leave.

He rides majestic
Past homes of men
Who care not or gaze with joy,
To see reflected there
The trees, the sky, the lily fair,
The scene of death is lying just below."


O caminho é claro
Embora nenhum olho possa vê-lo

O curso previsto muito antes.

E assim, com deuses e homens

As ovelhas permanecem dentro de seu curral,
Embora muitas vezes elas tenham visto o caminho a seguir.

Ele cavalga majestoso
pelas casas dos homens
Que não se importam com prazeres,
Para ver refletido ali
As árvores, o céu, a feira de lírio,
A cena da morte está logo abaixo.



Firth of fifth tem o seu ponto alto no solo de guitarra de Steve Hackett, ao qual foi somado ao de Peter Gabriel com a flauta tranversa, durante as gravações, mas como introdução ao do guitarrista. É a faixa mais respeitada do disco, a preferida dos fãs e é uma canção que ganha aqueles que não são fãs de progressivo em geral ou do Genesis em particular.






"Along the forest road, there's hundreds of cars - luxury cars.
Each has got it's load of convertible bars, cutlery cars - superscars!
For today is the day when they sort it out, sort it out,
Cos they disagree on a gangland boundary.
They disagree on a gangland boundary.

There's willy wright and his boys -
One helluva noise, that's billys boys!
With fully-fashioned mugs, that's little johns thugs,
The barking slugs - supersmugs!
For today is the day when they sort it out, sort it out,
Yes these christian soldiers fight to protect the poor.
East end heroes got to score in..."


Ao longo da via da floresta, há centenas de carros - carros de luxo.
Cada um tem muitos carros conversíveis, supercarros!
Hoje é o dia em que isto será resolvido
Porque eles discordam sobre o limite do seu território;

Eles discordam sobre o limite do seu território;


Há Willy Wright e seus meninos -
Um barulho infernal, são os caras do Billy!
Eles estão na moda
As lesmas latindo - supersmugs!
Hoje tudo será resolvido
Sim, estes soldados cristãos lutam para proteger os pobres.
Os heróis do East End vão aprontar...

The battle of Epping Forest durante muitos anos foi a minha faixa predileta do álbum. O Genesis era famoso por ter letras inacessíveis, assim como as do Yes, e eu nem tentei traduzir com o meu precário inglês os mais de cento e trinta versos. O tom marcial e o título combinados à temática do disco me levaram a acreditar que se tratava de uma crítica e/ou sátira ao imperialismo britânico, ou, muito mais remotamente, à alguma batalha medieval. Na verdade, Epping Forest é um subúrbio bem afastado de Londres (eu quase fui lá) e o tema da canção é uma briga de gangues.





"Home from work our juliet
Clears her morning meal.
She dabs her skin with pretty smells
Concealing to appeal.
I will make my bed,
She said, but turned to go.
Can she be late for her cinema show? 

Romeo locks his basement flat,
And scurries up the stair.
With head held high and floral tie,
A weekend millionaire.
I will make my bed
With her tonight, he cries.
Can he fail armed with his chocolate surprise?"


Trabalhando em casa nossa Julieta
Limpa a refeição da manhã.
Ela enxuga sua pele que cheira bem
evitando apelar.
Vou fazer a minha cama,
Ela disse, mas mudou de ideia
Ainda há tempo para o cinema?


Romeo tranca o seu apartamento,

e sobe as escadas apressado.
Com cabeça erguida e de gravata floral,
Um milionário de fim de semana.
Vou fazer a minha cama
Com ela esta noite, ele chora.
Ele pode falhar levando uma caixa de chocolate como presente? .


The cinema show também foi uma constante nos concertos da banda. Particularmente foi uma música que perdeu boa parte da atração para mim, com exceção das partes em que Tony Banks toma a frente, o que é sempre uma maravilha.




Há três faixas no álbum que não eram regularmente tocadas em show: After the ordeal, um instrumental muito bonito, More fool me, uma babinha com Phil Collins no vocal principal, um prenúncio do que viria, mesmo, dez anos depois, e Aisle of Plenty, que fecha bem o álbum com uma faixa meio incomum para o Genesis, algo meio disperso, mas muito boa.




Eu procurei o meu vinil para fotografá-lo e não o encontrei. Devo ter me desfeito dele na década de oitenta para trocar por cds importados. Este cd eu adquiri assim que foi lançado no Brasil, em 1991. Na década passada todos os cds do Genesis foram relançados remasterizados e com belos encartes. Na época que me desfiz do meu vinil adquirido em 1980 eu pensava: mais tarde eu compro outro disco. Ainda bem que eu me desfiz de poucos vinis. Quando eu retornar à Europa vou readquiri-lo nos novos vinis.

























Fonte: DODD, Philip. Genesis, chapter and verse. New York: Thomas Dunne Books, 2007. 360p. P.134-61.

domingo, 1 de janeiro de 2012

My best loved 1972 rock albums (1)




Foxtrot
(Genesis)




Gravação do Genesis para um especial de uma tv belga. Imagens raras da banda no início de 1972, turnê de "Nursery Crime".


Gabriel, Banks, Collins, Rutherford e Hackett: a formação clássica do Genesis

Watcher of the skies watcher of all
His is a world alone no world is his own,
He whom life can no longer surprise,
Raising his eyes beholds a planet unknown


(Observador dos céus, observador de tudo
Dele é um mundo solitário, nenhum mundo é dele próprio
Ele a quem a vida já não surpreende mais
Erguendo seus olhos, contempla um planeta desconhecido)

Tony Banks (teclados), Phil Collins (percussão), Peter Gabriel (voz), Mike Rutherford (baixos) e Steve Hackett (guitarras)

O quarto disco do Genesis, Foxtrot, inicia com um acorde de Mellotron que ainda hoje, mais de três décadas após ouvi-lo pela primeira vez, é capaz de arrepiar e encher-me de felicidade. O observador dos céus não é propriamente o deus cristão, tem mais a ver com a forma com que a juventude dos anos sessenta e setenta contemplava o Universo, mas também não lhe é incompatível (os membros do Genesis chegaram a analisar que tinham um grande público nos países católicos, com exceção de Peter Gabriel, que afirmou que o apoio à banda era mais expressivo nos bairros operários ingleses). O título Watcher of the skies vem de um poema de John Keats (1817).


Segundo Tony Banks: "On Foxtrot, the one song we had written beforehand was 'Watcher of the skies' which had grown out of me feeling around with Mellotron. We had hired in a Mellotron for Trespass and then went and bought one. In fact we bought one of the ex-King Crimson Mellotrons and Robert Fripp insisted it was one of they used on In the court of Crimson King"

(Em Foxtrot, a única canção previamente escrita por mim foi Watcher of the skies, quando aprendia a lidar com um mellotron. Nós havíamos alugado um quando fizemos Trespass e agora compramos um de Robert Fripp, que insistia que aquele era o mesmo mellotron utilizado pelo King Crimson em In the court of Crimson King)

O Mellotron usa gravações para produzir sons, não é um instrumento como um piano ou um órgão, e o som resultante  causava um grande impacto devido ao sua orquestralidade, algo original no rock. A letra foi escrita por Banks e Rutherford, vagamente baseado na ficção científica de Arthur Clarke, Childhood's End. Watcher of the skies passou a abrir os shows da banda, com adição de gelo seco e luzes ultravioletas, algo incomum àquela época, era uma forma de avisar à plateia que se tratava de um concerto do Genesis.


"A flower?"

Time Table fala de uma época de reis e rainhas, tem uma introdução intimista de que gosto muito e evolui para algo mais épico. Sim, evolui, porque esta é uma das características do rock progressivo, as músicas têm um desenvolvimento, assim como na música clássica e no jazz, não é algo feito para sacudir o corpo, e na adolescência eu adorava ouvi-las com muita atenção, aproveitando cada detalhe da composição.

A carved oak table,
Tells a tale
Of times when kings and queens sipped wine from goblets gold,
And the brave would lead their ladies from out of the room
to arbours cool.

A time of valour, and legends born
A time when honour meant much more to a man than life
And the days knew only strife to tell right from wrong
Through lance and sword.


(Um tabuleiro esculpido em carvalho
Conta uma história
Dos tempos em que reis e rainhas tragavam vinho de taças de ouro
E os bravos conduziam suas damas para fora da sala, para o frescor das árvores.

Um tempo de heroísmo, e lendas criadas
Um tempo em que a honra significava muito mais para um homem do que a vida
E os dias sabiam apenas disputar em distinguir o certo do errado
Através da lança e da espada).



Get'em out by friday é a primeira faixa que mostra uma preocupação social de Peter Gabriel, narra sobre uma família que foi despejada de sua residência. O Genesis foi uma banda não-militante, a política no sentido mais estreito não foi a preocupação predominante da galera universitária de classe média abastada do sul britânico. A melhor canção que ilustra a postura deles foi Blood on the rooftops, do álbum Wind and Wuthering ("Arabs and jews, boy, too much for me"). Já Peter Gabriel se tornaria o artista mais íntegro de que tenho notícia, alguém vivamente empenhado no bem das populações mais carentes, sem o estrelismo de um Bono.

Get 'em out by Friday!
You don't get paid till the last one's well on his way.
Get 'em out by Friday!
It's important that we keep to schedule, there must be no delay.

I represent a firm of gentlemen who recently purchased this
house and all the others in the road,
In the interest of humanity we've found a better place for you
to go, go-woh, go-woh


(Tire-os de lá até sexta
Você não será pago até que o último saia de lá
Tire-os de lá até sexta
É importante manter o planejamento, não pode haver atrasos

Eu represento uma companhia de cavalheiros que compraram
esta e outras casas desta rua
Pelo interesse humanitário nós encontramos um melhor lugar para vocês
go-woh, go-woh)




Can utility and the coastliners é a faixa de que menos gosto em Foxtrot, nunca me dei o trabalho de traduzi-la, não sei qual é o seu tema. Horizons é uma belíssima composição do guitarrista Steve Hackett, uma exceção na obra da banda, a única vez que o grupo lançou uma faixa solo, ainda que com menos de dois minutos. Hackett é exímio guitarrista, e sabe aproveitar a sonoridade de cada acorde, de cada nota.


O vestido e a máscara de raposa que deram as capas dos semanários musicais  para o Genesis.

E aí vem Supper's Ready, um dos grandes marcos do Genesis, com uma suite de vinte e três minutos, tocada in totum ao vivo até os idos de 1977. É uma das faixas preferidas dos fãs. Dividida em várias partes, tem uma letra meio inacessível, e que só pude compreender lendo (muito) sobre a banda. O ponto alto é Willow Farm, onde o tecladista Tony Banks, o som da banda, se esmera. O final épico, Apocalypse in 9/8, meio que como uma vitória das forças do Bem, seria, de certa forma, inspiradora de The gates of delirium, do Yes (1975).

Tony Banks: The key track on this album was "Supper's Ready", which had started off acoustically, like 'Stagnation' e 'Musical Box'. I'd written a descending chord sequence on the guitar, and, we were playing in somewhere like Cleethorpes, I was in the changing room tuning the guitar and playing these chords. The room has a fantastic acosutic which made this particular chord sequence sound wonderful. Mike walked in and said, 'That sounds great, what's that?' So he learnt the part and we played it together, and then we got the others in and played this sequence to them. I didn't know we wre going to do with it, but it was obsviously something we could use as a starting point.

(A faixa principal do álbum era Supper's ready, que eu comecei a compor no modo acústico, como em Stagnation e Musical Box. Eu compus uma sequência descendente de acordes no violão, e tocávamos em algum lugar como Cleethorpes, eu estava no vestuário afinando a guitarra e tocando estes acordes. A sala tinha uma acústica fantástica que fazia esta sequência de acordes soar maravilhosa, Mike [Rutherford] veio até mim e disse: 'muito legal, o que é?'. Ele aprendeu os acordes, tocamos juntos, chamamos os outros e a tocamos para eles. Eu não sabia até onde chegaríamos com isto, mas era óbvio que podíamos utilizá-la como um ponto de partida.)




Apocalypse in 9/8 foi inicialmente composta por Banks e Rutherford, Steve Hackett e suas guitarras foram o terceiro elemento, e Peter Gabriel acrescentaria as suas letras posteriormente. Mas Gabriel já tinha Willow Farm, a princípio uma canção à parte, mas o grupo decidiu incorporá-la à Supper's Ready. Particularmente, acho que Supper's ready não é de todo harmônica, como em Close to the Edge, lançada no mesmo ano pelo Yes, mas esta minha opinião é muito herética, rs...

Tony Banks tentou evitar que Peter Gabriel cantasse os seguintes versos no final épico de Supper's ready, que pretendia ser tão somente instrumental.

666 is no longer alone,
He's getting out the marrow in your back bone,
And the seven trumpets blowing sweet rock and roll,
Gonna blow right down inside your soul.
Pythagoras with the looking glass reflects the full moon,
In blood, he's writing the lyrics of a HIP brand new tune


(666 não está mais sozinho,
Ele está saindo da medula em sua coluna,
E sete trompetes soprando o doce rock and roll
Vai explodir na sua alma.
Pitágoras com a lente reflete a lua cheia,
Com sangue, ele está escrevendo a letra de uma nova canção).

Mas ele verificou que o resultado final era muito bom, algo que afirmou em entrevistas: isto somente poderia ocorrer coletivamente, em uma banda. Eu sempre acreditei neste ponto-de-vista e é uma das razões pelas quais não gosto de membros de grandes grupos saírem em pobres (musicalmente) carreiras solo.

Steve Hackett: When we finished Supper's ready I wasn´t sure whether anyone would like such a great long piece of music. The world Elgar comes to mind for some reason, Elgar on acid perhaps. We weren't on acid, we weren't on drugs, we were on beer and wine and Earl Grey. I thought the game was up, no one was going to like it, the record company were going to sack us and we would disappear into a black hole. I was proved so wrong and I've never been so happy to be proved so wrong: it ended up becoming the band's anthem.

(Quando terminamos Supper's ready eu não estava seguro se alguém agradaria daquela canção tão extensa. A palavra Elgar [Edward Elgar, compositor inglês, 1857-1934] veio à minha mente por alguma razão, Elgar em ácido, talvez. Nós não tomávamos ácido, não usávamos drogas, nós bebíamos cerveja, vinho e chá. Eu pensei que o jogo estava acabado, a gravadora iria nos demitir e ficaríamos em um beco sem saída. Eu estava tão errado, eu nunca fiquei tão feliz de estar tão comprovadamente equivocado, [Supper's ready] seria a antena do grupo.)




Durante a turnê de Foxtrot, Peter Gabriel, em um concerto em Dublin, decidiu usar um vestido vermelho e uma máscara de raposa ao final de Musical Box. Com a banda apresentando longos trechos instrumentais, Gabriel ou tocaria um bumbo ou sairia de cena, como fazia em Stagnation. Segundo Tony Banks, Peter Gabriel não foi feito para o palco. Mas Gabriel tem outra versão:

I decide it to use in a show in Dublin. I might have told the band my plan, but if so it would have been just beforehead, I certainly wasn't always upfront about everything because you'd end up having these endless debates and I'd think, 'Oh, fuck it, I can'be bothered'. There was a silence when I walked out on the stage in this outfit. I think that very few people had seen a man in a dress at that point and certainly not one wearing a fox's head as well. There was a sense of shock and it was very exciting. And I thought, 'We're on to something'.

(Eu decidi usá-la em um concerto em Dublin. Eu podia ter avisado aos demais membros da banda, mas eu não tomava a frente de tudo porque isto acabaria em um daqueles debates intermináveis, então, eu pensei, dane-se, não vou me aborrecer. Houve um silêncio na plateia quando apareci fantasiado. Eu pensei que poucas pessoas haviam visto um homem usando um vestido, quanto mais com uma máscara de raposa. Houve um choque e foi muito excitante. E eu pensei: fizemos algo)




O então baterista Phil Collins repercute este fato em outros termos: afirmou que não ficou empolgado e nem aborrecido com a fantasia em si, mas que, assim como os demais membros, não gostou da crítica especializada dar mais atenção às roupas de Gabriel do que ao som da banda.

Estas divergências entre Gabriel e os demais provocariam a cisão do grupo dois anos mais tarde, mas ainda renderia duas outras obras primas: Selling England by the pound (1973) e  The lamb lies down on Broadway (1974). Mas isto são outros posts.

Fonte: DODD, Philip (ed.) Genesis. Chapter and Verse. New York: Thomas Dunne Books, 2007. 360p. Pp 98-127.



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

My best loved 1971 rock albums (1)






Vou colocar aqui os meus doze álbuns de rock preferidos relativos ao ano de 1971 (estão comemorando quarenta anos de lançamento), um a cada mês, já começando atrasado por janeiro. Independentemente deste tipo altamente subjetivo de escolha, são, para quaisquer efeitos, excelentes obras musicais, que deverão ser conhecidas por qualquer pessoa que goste - mesmo - de música. 




Nursery Crime é o primeiro álbum com a formação clássica do Genesis: Peter Gabriel (voz e flauta), Steve Hackett (guitarras), Mike Rutherford (baixos), Tony Banks (teclados), e Phil Collins (percussão). É o terceiro lançamento da banda, mas o primeiro que abriu um espaço certo para o grupo no rock progressivo britânico (entrou para os UK Top 40 charts). The Musical Box trata de um infanticídio de um garoto de oito anos por uma menina de nove, com um martelo de cricket, mas não se limita a isto. É de longe a faixa mais conhecida e tocada na íntegra ou parcialmente em todas as turnês da banda por mais de três décadas. The return of the giant Hogweed é a que tem uma sonoridade mais roqueira, mas indubitavelmente é uma típica composição do progressivo. Eu gosto muito de Seven Stones, com uma característica romântica que tem mais a ver com épocas e lugares, mas a mais bonita, a meu ver, é a última The fountain of Salmacis, a lenda grega de Hermaphroditos, o filho dos deuses Hermes e Afrodite, e o seu amor pela ninfa Salmacis. As letras de Gabriel e companhia não são assimiláveis de imediato, fora a barreira da língua no seu devido tempo. Mas isto não intimida. A guitarra de Hackett e as linhas melódicas de Banks falam melhor e mais intenso.












terça-feira, 23 de novembro de 2010

Discoteca Básica (64)


Foxtrot
(Genesis, 1972)


Foxtrot é o quarto álbum do Genesis, e um dos expoentes de sua melhor fase, com a formação clássica do grupo: Peter Gabriel, Tony Banks, Steve Hackett, Mike Rutherford e Phil Collins. A capa já nos remete ao anterior Nursery Crime, já comentado aqui. A faixa de abertura, Watcher of skies, inicia-se com os teclados de Tony Banks e ainda hoje me provoca arrepios, trinta anos após ouvi-lo pela primeira vez. O observador do céus levou muita gente boa a considerá-la como uma canção cristã, mas a letra está mais para um alienígena que poderia ter visitado a Terra. Foi utilizada como abertura dos shows do Genesis durante as turnês de 1973. Time Table é uma canção meio épica, sem haver uma narrativa propiamente dita, mas fala de uma época em que a honra valia mais do que a vida. Não é uma faixa de destaque na história do grupo,mas é das que mais gosto. Get them out by friday é uma canção que trata de uma família sendo despejada por falta de pagamento de alugueres atrasados, o primeiro registro de que Peter Gabriel se antenaria em questões sociais.



Horizons é uma faixa exclusiva de Steve Hackett e quase não foi incluída no álbum, por ser um solo e não um trabalho de grupo. É outra de arrepiar. E aí vem o ponto alto do disco, a extensa Supper's Ready, com mais de vinte e dois minutos e diversas melodias. Foi executada in totum durante os shows da banda até o final dos anos setenta, provocando a ira da imprensa estadunidense que já era totalmente hostil ao rock progressivo. Composta por todos os membros da banda, a faixa é reconhecida e amada por todos os fãs do Genesis, e o final épico era ouvido em silêncio pela plateias dos anos setenta.







quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Discoteca Básica (61)

Nursery Crime
(Genesis, 1971)



Nursery Crime é o primeiro álbum com a formação clássica do Genesis: Peter Gabriel (voz e flauta), Steve Hackett (guitarras), Mike Rutherford (baixos), Tony Banks (teclados), e Phil Collins (percussão). É o terceiro lançamento da banda, mas o primeiro que abriu um espaço certo para o grupo no rock progressivo britânico (entrou para os UK Top 40 charts). The Musical Box trata de um infanticídio de um garoto de oito anos por uma menina de nove, com um martelo de cricket, mas não se limita a isto. É de longe a faixa mais conhecida e tocada na íntegra ou parcialmente em todas as turnês da banda por mais de três décadas. The return of the giant Hogweed é a que tem uma sonoridade mais roqueira, mas indubitavelmente é uma típica composição do progressivo. Eu gosto muito de Seven Stones, com uma característica romântica que tem mais a ver com épocas e lugares, mas a mais bonita, a meu ver, é a última The fountain of Salmacis, a lenda grega de Hermaphroditos, o filho dos deuses Hermes e Afrodite, e o seu amor pela ninfa Salmacis. As letras de Gabriel e companhia não são assimiláveis de imediato, fora a barreira da língua no seu devido tempo. Mas isto não intimida. A guitarra de Hackett e as linhas melódicas de Banks falam melhor e mais intenso.





Lyrics | Genesis lyrics - The Musical Box lyrics


Lyrics | Genesis lyrics - The Return Of The Giant Hogweed lyrics

sábado, 11 de setembro de 2010

Discoteca Básica (55)


Selling England by the pound
(Genesis, 1973)



Lançado em novembro de 1973, o quinto álbum do Genesis é o que conta com o maior consenso entre os antigos fãs da banda. Ouvi-o em 1979 e nestes mais de trinta anos jamais alguém o criticou negativamente, ou relativizou, em pontos fundamentais, a sua qualidade. Aqui tudo deu certo. Temas, letras, evoluções de teclado e guitarra, em um disco com mais de cinquenta minutos de audição. A banda no seu auge, o artista com liberdade de criação.

















Lyrics | Genesis lyrics - Dancing With The Moonlit Knight lyrics


Lyrics | Genesis lyrics - I Know What I Like lyrics


Lyrics | Genesis lyrics - The Cinema Show lyrics


Lyrics | Genesis lyrics - Firth Of Fifth lyrics

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Discoteca Básica (44)

Trespass
(Genesis, 1970)



O segundo álbum do Genesis é um dos discos que eu mais gosto na vida. Ouvi-o à exaustão no verão de 79/80. Na época o disco tinha a capa simples, sem letras, mas alguma coisa eu pegava de ouvido. O restante eu deixava a imaginação criar, pois os títulos Looking for Someone, Visions of Angels, Stagnation, White Mountain, Dusk e The Knife (esta eu já não curto tanto) somados às melodias dão vazão às ideias. Comprei, mais tarde, uma edição brasileira limitada, com capa dupla, contendo as letras, e na época elas eram bem mais acessíveis do que em The lamb lies down on Broadway, por exemplo.



O Genesis contava com Anthony Phillips na guitarra, e John Mayhew na bateria, que mais tarde foram substituídos por Steve Hackett e Phil Collins, respectivamente. Ao contrário do anterior In the beggining, aqui o distintivo progressivo já está estruturado: belas melodias, o teclado de Tony Banks dando a escrita do som, uma guitarra integrada ao conjunto, e a voz de Peter Gabriel impondo um peso épico ao que cantava. Puxa, como eu gosto destes caras...



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Discoteca Básica (28)

A trick of the tail
(Genesis, 1976)



Este é o primeiro disco do Genesis sem Peter Gabriel. É outra obra-prima do rock progressivo. Foi o disco que eu mais ouvi em 1979, é o que eu sinto mais prazer ao ouvir de tudo o que a banda fez. Começa com Dance on a Volcano, uma faixa que sensibiliza mesmo quem tem antipatia por este gênero musical. As melodias têm complexidade mas sem exigir um maior esforço de concentração, as letras são elaboradas, mas acessíveis, não há hits de três minutos e nem peças de vinte. Ripples fala sobre as blue girls. Squonk trata de um animal que protege a caça, e que quando pego dissolve-se em lágrimas. Histórias britânicas e lendas celtas.




O último cantor do Genesis, Ray Wilson, afirmou que é o seu álbum predileto da banda. É o meu também.