O novo álbum do duo francês AIR (com maiúsculas, Amour, Imagination, Rêve: amor, imaginação e sonho) tem por tema o filme clássico do precursor Georges Méliès Le voyage dans la lune, filme mudo de 1902 que está sendo relançado restaurado. Eu gosto demais do AIR desde o fundamental Moon Safari (1998), e é uma das poucas coisas francesas que de que sou fã em matéria de pop/rock, no mais, é 10x1 para os ingleses, sem sombra de dúvida.
O sétimo disco da dupla Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin começa dentro do padrão da banda, com Astronomic Bomb, uma eletrônica básica, tranquilona e uma guitarra com um timbre à la Robert Fripp, do King Crimson. Seven Stars traz o belo vocal de Victoria Legrand, mas não sei quem ela é. Return sur Terre e Parade são faixas claramente cinematográficas, é perceptível que estão acopladas a cenas. Moon Fever é bem climática. Sonic Armada é a primeira faixa mais ritmada do álbum, dá para ser utilizada em pistas, sem muito ardor. Who am I now tem a participação de Au Revoir Simone, uma banda dream pop novaiorquina bem legal que eu acredito que ainda fará um disco significativo. Cosmic Trip é a faixa de trabalho, um technopop simpático. O cd termina com Homme Lune que me faz lembrar de algumas coisas meio Brian Eno. O AIR é uma banda que tem os anos sessenta e setenta como fonte, e disto eu não posso reclamar. A última, Lava, é bem Pink Floyd por estas épocas.
Bem, fico com a impressão de que boa parte da trilha, por óbvio, fará mais sentido quando assistirmos ao filme.
Achei frustrante o cd ter apenas trinta e um minutos de duração, o fato de ser trilha sonora não o justifica.
O ex-vocalista do Roxy Music (banda que influenciou cem por cento do estilo new romantic do ínício dos oitenta) alcançou o mainstream com o álbum Boys and girls (1985). Após isto não sei o que andou aprontando. Olympia é um disco pop, benza a Deus, e se não espero de cantores como Ferry um cd digno de fazer a vida valer a pena dá para, no entanto, ter certeza de que uma meia dúzia de faixas vão me trazer genuíno prazer. Não há o que explicar ou analisar, somente curtir o som. Fácil de ouvir e de gostar. Destaque para a penúltima Reason or rhyme.
Em 1996 já havia internet mas eu não possuia computador, achava-os caros, problemáticos e pouco úteis. Então eu conhecia o que havia de novo indo às lojinhas do centro. Um vendedor indicou-me a banda escocesa Belle & Sebastian, dizendo que ela fazia um som parecido com os seus conterrâneos Cocteau Twins. Não vi qualquer relação. Achei If you're feeling sinister um som diferente o suficiente para ganhar um público específico, mas a meiguice da banda chegava a ser piegas. Belle and Sebastian virou a banda predileta dos emos (duvido que alguém aceite este rótulo idiota), uma galera adolescente que não se enquadrava no perfil aeróbico dos teens de escolas particulares. Ouvi uns dois cds e deixei-os de lado. Este mês tocaram em São Paulo, um show muito elogiado e com plateia curtindo-o à beça.. Este Write about love mostra que a banda é fiel ao seu público. Continua um sonzinho que lembra os cantores folk dos sessenta. Parece-me anacrônico. Às vezes a banda tenta animar um pouco,mas não empolga. Gostei apenas da última faixa - Sunday's Pretty Icons -, um rock de verdade, mas o cd acaba aí. Chatinho, chatinho.
A dupla inglesa Pet Shop Boys, formada pelo cantor Neil Tennant e pelo tecladista Chris Lowe, estourou em 1985, com o single West End Girls, lançado no Brasil no início de 1986, um dos raros singles e eps que eu adquiri, devido à exploração de custarem o mesmo valor de um lp em Pindorama. Ouvi-os à exaustão, mas não acreditava que tamanho sucesso iria durar muito tempo. Lançamento após lançamento a dupla foi ganhando credibilidade - fora as grandes vendagens-, particularmente com a turnê que deu origem ao vídeo Performance (1991). Muito chegados à coletâneas, o PSB, com este Ultimate, no entanto, não repete o padrão da indústria fonográfica em matéria de compilações: quase tudo repetido, com exceção de algum acréscimo mixuruca de lados B ou alguma faixa insossa ao vivo, sabendo que os fãs mais acríticos vão adquirir o produto para poder ter a "coleção completa" dos seus -argh! - ídolos.
São três cds com mais de sessenta faixas (veja abaixo). O primeiro cd não é útil para quem já possui os originais. Mas valem bem a pena os Top of the Pops - programinha britânico de tv bem comercial mas no qual apresentaram 99% das bandas dos oitenta que eu gostei - e o show deste ano no festival de Glastonbury.
Disc: 1
1. West End Girls (2001 - Remaster)
2. Suburbia (2010 - Remaster)
3. It's A Sin (2001 - Remaster)
4. What Have I Done To Deserve This? (2001 - Remaster)
5. Always On My Mind (2003 - Remaster)
6. Heart (2010 - Remaster)
7. Domino Dancing (2003 - Remaster)
8. Left To My Own Devices (2001 - Remaster)
9. Being Boring (2001 - Remaster)
10. Where The Streets Have No Name (I Can't Take My Eyes Off You) (2003 - Remaster)
11. Go West (Radio Edit)
12. Before (2001 - Remaster)
13. Se A Vida e (That's The Way Life Is) (2001 - Remaster)
14. New York City Boy (US Radio Edit) (2003 - Remaster)
15. Home And Dry (2003 - Remaster)
16. Miracles (Radio Edit)
17. I'm With Stupid
18. Love etc.
19. Together (Ultimate mix)
Disc: 2
1. West End girls (BBC Top Of The Pops)
2. Love comes quickly (BBC Top Of The Pops)
3. Opportunities (Let's make lots of money) (Old Grey Whistle Test)
4. Suburbia (BBC Top Of The Pops)
5. It's a sin (BBC Top Of The Pops)
6. Rent (BBC Top Of The Pops)
7. Always on my mind (BBC Top Of The Pops)
8. What have I done to deserve this? (BRITS)
9. Heart (Wogan)
10. Domino dancing (BBC Top Of The Pops)
11. Left to my own devices (BBC Top Of The Pops)
12. So hard (Wogan)
13. Being boring (BBC Top Of The Pops)
14. Can you forgive her? (BBC Top Of The Pops)
15. Liberation (BBC Top Of The Pops)
16. Paninaro '95 (BBC Top Of The Pops)
17. Se a vida (BBC Top Of The Pops 2)
18. A red letter day (BBC Top Of The Pops)
19. Somewhere (BBC Top Of The Pops)
20. I don't know what you want but I can't give it anymore (BBC Top Of The Pops)
21. New York City boy (BBC Top Of The Pops)
22. You only tell me you love me when you're drunk (BBC Top Of The Pops)
23. Home and dry (BBC Top Of The Pops)
24. I get along (BBC Re:Covered)
25. Miracles (BBC Top Of The Pops)
26. Flamboyant (BBC Top Of The Pops)
27. I'm with stupid (BBC Top Of The Pops)
Disc: 3
1. Heart (Live at Glastonbury 2010)
2. Did you see me coming? (Live at Glastonbury 2010)
3. Love etc. (Live at Glastonbury 2010)
4. Building a wall (Live at Glastonbury 2010)
5. Go west (Live at Glastonbury 2010)
6. Two divided by zero (Live at Glastonbury 2010)
7. Why don't we live together? (Live at Glastonbury 2010)
8. New York City boy (Live at Glastonbury 2010)
9. Always on my mind (Live at Glastonbury 2010)
10. Closer to devices (Live at Glastonbury 2010)
11. Do I have to? (Live at Glastonbury 2010)
12. King's Cross (Live at Glastonbury 2010)
13. Jealousy (Live at Glastonbury 2010)
14. Suburbia (Live at Glastonbury 2010)
15. What have I done to deserve this? (Live at Glastonbury 2010)
16. All over the world (Live at Glastonbury 2010)
17. Se a vida e (Live at Glastonbury 2010)
18. Viva la vida (Live at Glastonbury 2010)
19. It's a sin (Live at Glastonbury 2010)
20. Being boring (Live at Glastonbury 2010)
21. West End girls (Live at Glastonbury 2010)
O Stereolab não é uma banda que me faça vibrar de verdade, mas apresenta constância na qualidade do que faz. Mantém a mesma sonoridade desde uns bons doze anos. Sons de sintetizadores dos sessenta ou setenta (ou sua simulação) e a bela voz de Laetitia Sadier. Ao que parece Not Music é menos brasilianista e mais próximo da música eletrônica alemã. Destaque para Pop Molecules, Neon Beanbag e a introdutória Everybody's weird except me. É verdade, rs...
O compositor britânico Brian Eno, além de fundador do Roxy Music e produtor do U2, tem um longo currículo como músico de vanguarda, e obteve reconhecimento da crítica com a série Ambients, no início dos oitenta. Small Craft on a Milk Sea é o seu vigésimo quinto álbum de estúdio, e foi composto com outros dois músicos: o guitarrista Leo Abrahams e o tecladista John Hopkins. Uma primeira audição me faz lembrar de Music for Films (1978).