Juiz de Fora

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cidades (7)

Ibitipoca




Conceição de Ibitipoca não é uma cidade e duvido que será algum dia neste século. Integra o município de Lima Duarte (MG), e é o segundo lugar mais natureba das nossas redondezas - o primeiro é São Tomé das Letras.



A primeira vez que lá estive foi em 1982, em uma excursão organizada pelo Colégio Pio X, de Santos Dumont. Excursionar em Ibitipoca era quase um rito de passagem para os adolescentes com pretensões a adultos intensos. Significava, entre outros: amar a natureza, ser vegetariano, falar de amizade, do universo, do meio-ambiente, ouvir rock progressivo, não ligar para conforto, manter uma postura indiferente aos bens materiais, saber dividir os esforços e sacrifícios, etc. E, ao contrário do padrão, o pessoal com que viajei não era fumante de erva alguma (quem ainda não foi lá acha que vai encontrar este tipo de coisa a céu aberto, a qualquer hora, nem em Amsterdã é assim). Não havia pousadas e o esquema era mesmo kombi/barraca/miojo/pão integral. A construção de banheiros no parque, àquela época, foi lamentada por muitos como sinal de que "Ibitipoca iria acabar".







Uma década e meia depois virou turismo de paulista e a vila ficou repleta de pousadas. Mesmo após adquirir um carro não tive coragem de encarar os vinte e sete quilômetros de estrada de chão. Mas há quatro anos atrás mudei de ideia e resolvi subir a serra, quase vinte e cinco anos após a primeira vez. É muito bom tanto no inverno como no verão. Mas eu prefiro este último, porque fica quase vazio (tomara que todos vão para as praias) e não faz tanto calor devido ao imenso verde e os mais de mil e duzentos metros de altitude. É para lá que eu quero ir novamente, deitar em uma rede enquanto leio e ouço música, jogar ping-pong, totó e sinuca, curtir uma piscina com sauna, ouvir passarinhos. Que mané praia entupida, que o quê.


Em 1982 quando alguém dizia que iria percorrer todas as trilhas do parque - ir na Janela do Céu ou no Pico do Pião -  eu ficava embasbacado como se fosse uma espécie de aventura à la Senhor dos Anéis. Bobagem. Da entrada do parque até a Janela do Céu é uma boa caminhada de duas horas e meia de subida e uma hora e meia de volta. Com água suficiente e uma temperatura em torno de vinte e sete graus dá para encarar numa boa. A vista da lombada (quase mil e oitocentos metros) é bem recompensadora.


O progresso da vila não destruiu as características do lugar, ao que eu saiba. Com exceção das raves - que espantam os animais, por óbvio, - durante a baixa temporada (quase todo o ano) a vila é muito sossegada.


Esta pontezinha é muito legal.


Eu gostava de observar a linha de horizonte enquanto ouvia After the Rain, do Terje Rypdal, e Incantations, do Mike Oldfield. Cresci com a ideia de que o rock progressivo, ou parte dele, tem a ver com lugares montanhosos. Pessoas que moram no litoral preferem música de país quente, mais agitada, menos contemplativa. Dê uma olhada nas fotos do Yes, na Suíça, em Going for the One, vai entender de onde vem esta associação de ideias.




Eu tirei estas fotos com uma câmara digital bem mixuruca, não sei fotografar e não quis investir nisto. No ano seguinte minha filha tirou centenas de belas fotos com uma câmara digna de respeito, mas não sei onde guardei os arquivos.

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