Juiz de Fora

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Panótico quase perde um grande final (352)


Acima: o marido da filha cabeleireira, a própria, a esposa do primogênito médico, o próprio.
Abaixo: o caçula, okasaotosan e a namorada do caçula.


Uma família de Tóquio
(2013)


Um casal de japoneses que mora em uma pequena ilha, um professor aposentado e uma dona-de-casa, resolve rever os três filhos que vivem em Tóquio, cidade que jamais visitaram (Bom, eu conheço as capitais de três países mas nunca fui à Brasília). O filho mais velho é médico e mora na periferia da capital japonesa. Casado, sua esposa é a típica dedicada dona-de-casa e mãe, com dois filhos, um adolescente que não gosta de estudar e um garoto. A irmã do meio é cabeleireira e o caçula trabalha como assistente de cenários em uma companhia de teatro.


O pai tem orgulho do filho mais velho, reconhece que mimou a filha, mas guarda forte frustração contra o filho caçula, tido como inconsequente. A mãe é risonha, sente empatia por todos, nutre um carinho pelo marido que é raro de se ver entre casais longevos. Os filhos veem os pais como um fardo, não ao estilo latino como nos filmes italianos e brasileiros, mas com um senso de dever e reverência pelos ancestrais. Os pais sentem-se infelizes por perturbar o quotidiano dos filhos e netos, mas ressentem a falta de proximidade dos mesmos.


Este filme é um remake do clássico Era uma vez em Tóquio do cineasta Yasujiro Ozu (1903-63). Até alguns anos atrás eu pensava que o cinema nipônico se resumia a Kurosawa e Oshima (o que não é pouca coisa), mas lendo blogues especializados observei o culto existente a este cineasta. Não é para mim, é excessivamente lento e bate sempre na mesma tecla: o capitalismo desumaniza as pessoas, todos vivem em função da luta pela sobrevivência, as relações sinceras não tem como triunfar. Há uma meticulosa abordagem do microcosmo familiar, há riqueza de detalhes nos gestos e atitudes, e há o peso dos diálogos. Tudo sem trilha sonora ou efeitos impactantes, é preciso estar atento. Comecei a ver este filme mais pelas locações de Tóquio, já sabia que rumo tomaria. Mas...

...um dos últimos diálogos é incrivelmente belo.

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