Juiz de Fora

sábado, 18 de dezembro de 2010

Nossa terra (I)



Lembrei-me agora há pouco de uma banda brasileira que eu curti de montão, enquanto pensava em um título bem acusador, tipo "You have gone wrong": os santistas do Harry. No final de 1988 uma namorada apresentou-me o ep Caos e o lp Fairy Tales, ambos em vinil. Eu adorei, e quem os ouvia repetia sempre a mesma exclamação: "Ué, nem parecem brasileiros!" Harry fazia um technopop tão bom como outras referências da época, como o Depeche Mode, por exemplo. Alguns anos mais tarde eu comprei o cd Chemichal Archives, muito bom também. Depois não tive mais notícias. Vou procurar por Vessels Town.









Entrevista com Jonas Bjerre (Mew)

Ouçam esta entrevista com o cantor dinamarquês Jonas Bjerre pouco antes de sua turnê pelo México (2009). Simpático e inteligente, não tem a postura eu-nasci-para-brilhar dos cantores americanos (anglo-saxões e latinos) ou eu-peço-perdão-por-ser-um-astro dos britânicos. O menino de trinta e três anos enfrentou inclusive a pergunta saia-justa para ateus e agnósticos: "do you believe in God?"

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Panótico ouve aqui e agora (77)


Live in Berlin
(Sting, 2010)


A primeira vez que ouvi Sting foi no Cassino do Chacrinha, em 1980, com o videoclip de De do do do da da da, do The Police. Estava na cara que era um grupo comercial. Mas os seus cinco discos lançados entre 1978-82 eram muito bons, comprei-os todos e ouvi-os sem chegar a ser um fã. Synchronicity deixou claro que Sting era muito chegado a uma leitura, este esquisito hábito que a maioria dos diplomados em universidades simulam possuir e gostar. Passei, por esta razão, a levar o cantor mais a sério, e após o fim da banda curti de montão os seus primeiros álbuns solos: The dream of the blue turtles (1985) e Nothing like the sun (1987). A galera feminina pôs Sting no topo das paradas. Mas após este ano Sting começou a lançar uns álbuns muito ruins, virou uma espécie de Julio Iglesias britânico, e não acertou em mais nada. Continuei acompanhando porque é fácil ter acesso ao mainstream. Este ao vivo em Berlim começa bem, a sua voz ainda é muito boa, a orquestra ótima, e nem preciso comentar a qualidade da gravação, isto não é mais problema para ninguém. Dá para ouvir como um cd de jazz (morno). Parece música de domingo de manhã, antes do almoço, ou alguma cena doméstica de filme de Woody Allen. Terei gostado ou não?

O Panótico ouve aqui e agora (76)


4x4=12
(Deadmau5, 2010)

Techno é um termo amplíssimo para caracterizar o som composto por djs a partir do início da década de noventa. Para quem não dança, não sai para dançar e nem se utiliza de estimulantes químicos a quase totalidade deste gênero lançado por quase todo o planeta (congregando uns vinte mil artistas, no mínimo) faz um som monótono, pobre, excessivamente repetitivo e que não se aproxima da qualidade da música eletrônica dos anos sessenta e setenta. Mas nem todo este povo desconhece a história da música ou quer apenas faturar (altíssimo) enquanto se diverte.



Dead mouse é o produtor canadense Joel Zimmermann. O som dele é caracterizado como progressive house (um house menos bate-estaca e um pouco mais melodioso). Para quem não é jornalista e nem está por dentro de produção musical estes rótulos dizem pouco. O cara, no entanto, é bastante celebrado pela crítica especializada e campeão de vendas no site privado Beatport. O cd começa idêntico a muitos outros, é preciso um pouco de paciência, mas tem quatro faixas que valem a audição (justamente as que são mais progressive do que house): Animal Rights, Cthulu sleeps, Right this second, Raise your weapon e mais One tricky pony (esta última um caso raro de rap feminino que não é só irritante, vá aguentar estas moças de subúrbio falando de homens o tempo todo, rs...). A dica (bastante oportuna) veio de:
http://afonsopost.blogspot.com/2010/12/levanta-e-sacode-poeira.html

Quem tiver interesse por uma área próxima, a música eletrônica, mas bem mais consistente, criativa e estimulante pode dar uma leitura no seguinte blog: http://mundoestranhodepb.blogspot.com/

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Ó, vós, que decidíreis dos destinos do mundo"









Estes são alguns dos "netos" do ditador romeno Nicolau Ceausescu (1965-89).

Mais informações em: http://www.richardphibbs.com/main.html.




"Why are we so alone
even with company?"

Behind the drapes -Mew

Peixada

Esta festa da Pug Records, no Musik, dia 23 deste mês, é organizada, dentre outros, pela filha deste blogueiro.

O Panótico vê aqui e agora (39)

Why are you looking grave?
(Mew, 2006)

Outro video oficial disponível com a bela voz de Jonas Bjerre nos refrões.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Panótico vê aqui e agora (38)

Behind the drapes
(Mew, 2003)


Behind the drapes é um dos pontos altos da banda Mew, e é o tipo de som que me convence de que música é a arte mais empolgante que já existiu.


Lyrics | Mew lyrics - Behind The Drapes lyrics

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Panótico ouve aqui e agora (75)


Frengers
(Mew, 2003)

Esta é a primeira vez que ouço uma banda dinamarquesa. Na verdade é a primeira vez que ouço qualquer coisa de lá. Este é o terceiro cd da banda, com canções dos primeiro (A triumph for man, 1997) e segundo (Half the world is watching me, 2000) cds que foram lançados somente na terra de Hans Christian Andersen, e mais algumas faixas inéditas.







Mew é formado por Jonas Bjerre (voz e guitarra), Bo Madsen (guitarra e vocal) e Silas Graae (bateria). O cd já começa ótimo com  Am I wry? No. Banda que é boa é assim, não pede desculpas para fazer o que quer, diz logo a que veio, não fica se explicando que não teve tempo para ensaiar. A quarta faixa, Symmetry, é uma bela melodia que pode agradar qualquer ouvido pop, praise the Lord!. Behind the drapes lembra-me Cocteau Twins, do que mais posso reclamar? Em seguida Her voice, um típico rock à la Lush, início dos anos noventa. She came home for Christmas é um hit meio bobinho, mas é este tipo de som que dá visibilidade a uma banda e lhe abre portas. Os demais cds também me lembram Cranberries e pasmem, Yes, sim, senhor. Achei que era muito otimismo meu, mas a banda é enquadrada como shoegaze, indie rock e progressive (ouça Comforting Sounds e confira.)

O quarto álbum da banda - And the glass handed kites (2005) fez o então quarteto garantir o seu espaço. Uma audição rápida chama a minha atenção com Chinaberry Tree e The zookeeper's boy, uma faixa que define se o som da banda agradará ou não. O cd foi nitidamente composto como um todo orgânico.





O quinto cd No more stories... (2009) vou ouvir mais adiante e depois eu conto. Já tocaram no México e ontem deram um show na Indonésia. Como todo mundo vem agora a São Paulo dá para imaginá-los por aqui.








quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

New and notable (10)



The living tree
(Jon Anderson & Rick Wakeman, 2010)

Jon Anderson foi cantor do Yes, um dos principais grupos de rock progressivo, juntamente com Rick Wakeman. A fase áurea de ambos há muito se foi. Já há duas boas décadas que ninguém espera algo muito grandioso dos membros do Yes, mas para quem é fã - e em especial neste longo período de baixa do rock - fica sempre a curiosidade de ouvi-los. Jon Anderson anda meio brigado com Chris Squire, dono do Yes, desde que o grupo excursionou à revelia do cantor que se recuperava de grave doença nas cordas vocais. Rick Wakeman lança cds um atrás do outro faturando em cima de suas três obras primas de 1973-5, já resenhadas aqui. Salvo melhor informação é o primeiro cd original da dupla, pois Jon Anderson sempre o preferiu fazê-lo com Vangelis. Vangelis pode não acertar sempre, mas é um dos artistas mais íntegros de que tenho notícia e não produz caça-níqueis. Não consigo levar a sério a cantilena paz e amor  de Jon Anderson, é a cara dele mas também é um filão de mercado.





Esta união é uma forma de punir os demais membros do Yes, mas a dupla tocando clássicos da antiga banda, ao vivo, é tão pastiche quanto duplas de restaurantes. Será que vale a pena manchar o currículo desta forma? E quanto a este living tree? A voz de Jon Anderson continua uma das mais belas da música pop (me é menos cara apenas que a de Liz Fraser, do Cocteau Twins), e Wakeman é virtuose. Eu esperava um pouco mais de emoção, mas talvez este tempo também tenha se esgotado.




terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Opções de Natal (cabem na sua Bolsa Família Dó-Ré-Mi)







No final da década de oitenta as livrarias do Rio e de São Paulo já vendiam os livros da Taschen, mas eram muito caros para a minha bolsa de mestrado da Capes. No final da década passada eu pude adquirir alguns conforme já os resenhei aqui. Não sei qual a razão que tornaram estas obras acessíveis, mas, pouco importa, elas estão em promoção e vão aqui algumas sugestões se você quiser comprar um e outro para as pessoas mais importantes, a começar por você mesmo que é quem vai pagar a conta.









I'm not the kind of guy who eats like a king


Bilhões de pessoas neste planeta - eu, inclusive - não têm como alterar a sua rotina durante a semana. Mas preocupo-me em variar o meu tempo livre, o que não é nada fácil aqui em Juiz de Fora, uma cidade que tem muito do mesmo. Perguntei a um colega de trabalho se sabia de algum lugar novo que valeria a pena dar um pulo. Ele me indicou a pizzaria Assunta, e, sem dúvida, está bem acima da média local. Inaugurada há mais de uma ano, sequer tinha ouvido falar. Mas lota aos sábados por volta das vinte e uma horas. Vou tentar novamente mais cedo ou em outro dia. É sem chance que eu fique em pé, na fila, esperando um lugar para uma refeição, eu não gosto tanto assim de comida, rs...





Opções de Natal (cabem no mensalão de todos nós)

Esta é a primeira vez que publico o que quero ganhar de Natal, e o que não ganhar (só ganho um presente porque também dou apenas um, rs...) eu vou comprar:






Esta é a trilogia autobiográfica do escritor de Massas e Poder, uma obra fundamental para se entender porque o povo não pensa, ou não se comporta de acordo com o que pensa.





Dois irmãos chineses durante o maoísmo e a era de crescimento atual. Yu Hua é também autor de Viver que foi para as telas com direção de Zhang Yimou.






O autor (Daniyal Mueenuddin) é um advogado que foi colunista do The New Yorker, vai ser a minha primeira leitura de um escritor paquistanês. 






Para quem tem estômago para ler obras pedagógicas eu indicaria este Os ensaios: "Mais importa uma cabeça bem feita do que cheia". O filosósofo quinhentista Montaigne é o avô da pedagogia moderna, e, pasmem, escrevia muito bem, mesmo sem nunca ter dado aula germinada  para alunos de menores.





As civilizações mastígios (o império austro-húngaro; a Rússia de Pedro, o Grande; a Turquia de Ataturk, etc.) são um prato cheio para reflexões históricas.




Eu entendo lhufas de moda e professor de história precisa ter pelo menos uma noção básica de uma atividade que tem muitas implicações e estimula a mente de muita gente criativa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ecce homo

Hitler



Ou eu compro ou ganho de Natal. A mais nova definitiva biografia deste monstro. Vai ser vizinho de Stalin e de Mao na minha estante. Por Ian Kershaw, historiador britânico (2010). Publicado pela Companhia das Letras, 1160 páginas.

Cidades (7)

Ibitipoca




Conceição de Ibitipoca não é uma cidade e duvido que será algum dia neste século. Integra o município de Lima Duarte (MG), e é o segundo lugar mais natureba das nossas redondezas - o primeiro é São Tomé das Letras.



A primeira vez que lá estive foi em 1982, em uma excursão organizada pelo Colégio Pio X, de Santos Dumont. Excursionar em Ibitipoca era quase um rito de passagem para os adolescentes com pretensões a adultos intensos. Significava, entre outros: amar a natureza, ser vegetariano, falar de amizade, do universo, do meio-ambiente, ouvir rock progressivo, não ligar para conforto, manter uma postura indiferente aos bens materiais, saber dividir os esforços e sacrifícios, etc. E, ao contrário do padrão, o pessoal com que viajei não era fumante de erva alguma (quem ainda não foi lá acha que vai encontrar este tipo de coisa a céu aberto, a qualquer hora, nem em Amsterdã é assim). Não havia pousadas e o esquema era mesmo kombi/barraca/miojo/pão integral. A construção de banheiros no parque, àquela época, foi lamentada por muitos como sinal de que "Ibitipoca iria acabar".







Uma década e meia depois virou turismo de paulista e a vila ficou repleta de pousadas. Mesmo após adquirir um carro não tive coragem de encarar os vinte e sete quilômetros de estrada de chão. Mas há quatro anos atrás mudei de ideia e resolvi subir a serra, quase vinte e cinco anos após a primeira vez. É muito bom tanto no inverno como no verão. Mas eu prefiro este último, porque fica quase vazio (tomara que todos vão para as praias) e não faz tanto calor devido ao imenso verde e os mais de mil e duzentos metros de altitude. É para lá que eu quero ir novamente, deitar em uma rede enquanto leio e ouço música, jogar ping-pong, totó e sinuca, curtir uma piscina com sauna, ouvir passarinhos. Que mané praia entupida, que o quê.


Em 1982 quando alguém dizia que iria percorrer todas as trilhas do parque - ir na Janela do Céu ou no Pico do Pião -  eu ficava embasbacado como se fosse uma espécie de aventura à la Senhor dos Anéis. Bobagem. Da entrada do parque até a Janela do Céu é uma boa caminhada de duas horas e meia de subida e uma hora e meia de volta. Com água suficiente e uma temperatura em torno de vinte e sete graus dá para encarar numa boa. A vista da lombada (quase mil e oitocentos metros) é bem recompensadora.


O progresso da vila não destruiu as características do lugar, ao que eu saiba. Com exceção das raves - que espantam os animais, por óbvio, - durante a baixa temporada (quase todo o ano) a vila é muito sossegada.


Esta pontezinha é muito legal.


Eu gostava de observar a linha de horizonte enquanto ouvia After the Rain, do Terje Rypdal, e Incantations, do Mike Oldfield. Cresci com a ideia de que o rock progressivo, ou parte dele, tem a ver com lugares montanhosos. Pessoas que moram no litoral preferem música de país quente, mais agitada, menos contemplativa. Dê uma olhada nas fotos do Yes, na Suíça, em Going for the One, vai entender de onde vem esta associação de ideias.




Eu tirei estas fotos com uma câmara digital bem mixuruca, não sei fotografar e não quis investir nisto. No ano seguinte minha filha tirou centenas de belas fotos com uma câmara digna de respeito, mas não sei onde guardei os arquivos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

New and notable (9)




O jornal de Manchester (Inglaterra) The Guardian tem uma coluna intitulada New band of the day. Observem este duo de Los Angeles - Io Echo - e o som de When the lilies die.

http://www.guardian.co.uk/music/2010/nov/26/new-band-io-echo

O Panótico ouve aqui e agora (74)


The Great Eastern
(The Delgados, 2000)

A banda escocesa The Delgados mandou bem no seu terceiro álbum. Acho que um grupo que não é passageiro tem sempre um álbum marcante. Dá para sentir na primeira audição que a banda não faz um som qualquer pois tem consistência. Não se busca aqui ser engraçadinho, esquisitinho, coitadinho, etc. Na música pop qualidade tem a ver com manter alguns padrões, ou pelo menos um deles que é combinar uma boa melodia com um ritmo básico associado a um refrão que pega, como em American Trilogy.